José Bessa Freire
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Li o livro de Landa, interrompendo a leitura dezenas de vezes para escutar no you tube cada música por ele citada. Antes de discorrer sobre o seu conteúdo, convém dizer quem é o autor, qual a sua ligação com o Brasil e como organizou sua pesquisa.
Pesquisador do Instituto Nacional de Cultura (INC), Ladislao Landa teve papel decisivo, em 2007, quando deu parecer conclusivo para declarar o charango patrimônio nacional do Peru. Acumulou experiências em encontros e festivais de charango, instrumento que aflora em todas as páginas do seu livro, especialmente na segunda parte, em que descreve a trajetória do charango por vários países andinos e destaca os tocadores e seus estilos.
Embora não existam ainda estudos para determinar a origem exata do charango, ele é “uma peça historicamente andina que, em última instância, expressa uma adaptação de instrumentos musicais europeus à cultura dos povos de Abya Yala, similar ao que ocorreu com a apropriação pelo mundo indígena de outros instrumentos” – escreve Ladislao Landa.
O autor retoma o mapa das áreas musicais do país e agrupa o wayno e os demais gêneros por vertentes oriundas de diferentes espaços geográficos, cada um com suas tradições musicais, que ele denomina de “escolas”, enumerando as oito mais significativas: Cajarmaquina, Ancashina, Huanca, Cajatambina, Ayacuchana, Cusqueña, Arequipeña e Puneña. De raiz pré-hispânica, o wayno está para a identidade peruana como o samba para a brasileira, guardando as diferenças regionais.
O livro traz breves biografias de cantoras, cantores e conjuntos musicais, que se tornaram ícones nacionais, como é o caso de Mama Paulina, que tocava charango, guitarra, acordeon e piano. Nascida na zona mineira de Pullo, apesar de cega, viajava de povoado em povoado, tocando em aniversários e festas até se mudar para Lima, onde morreu em 1968, depois de gravar discos de acetato e de participar de festivais e apresentações em coliseus. “Sua imagem impregnou a memória oral de Parinacochas” – diz Landa.