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Postado em 24/03/2016 10:42

Senado argentino analisa plano de pagamento de fundos abutres

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Buenos Aires, (Prensa Latina) As comissões de Orçamento e de Fazenda do Senado argentino prosseguem hoje com a análise em audiência conjunta do projeto do Executivo de endividar o país para pagar os fundos abutres.

Nesta segunda-feira é vez dos economistas, ex-servidores e juristas expressarem seus critérios sobre a proposta de normalizar a dívida com os investidores que não ingressaram às trocas de 2005 e 2010.

Entre outros estarão o advogado e historiador Roberto Corte Conde, ex-presidente da Associação Internacional de História Econômica; o economista Daniel Heymann, da Academia Nacional de Ciências Econômicas e o ex-ministro de Economia de Fernando de la Rúa José Luis Machinea.

Está prevista a presença também do ex-secretário de Política Econômica e Planejamento do Desenvolvimento Roberto Feletti; o professor e historiador Mario Rapoport e a ex-ministra bonaerense de Economia Silvina Batakis.

Por ditame do juiz nova-iorquino Thomas Griesa, a administração do presidente Mauricio Macri propôs ao Congresso derrogar as leis Cerrojo e Pago Soberano e pediu-lhe autorização para emitir dívida por 12 bilhão de dólares.

Esse dinheiro será dedicado a pagar-lhe ao contado aos fundos abutres e outros investidores reclamantes.

Concluídas as apresentações, prevê-se que na terça-feira se firme ditame favorável, que habilite o tratamento do projeto no recinto do Senado na quarta-feira da semana seguinte.

Ao defender o projeto ante os senadores, servidores públicos do Executivo fizeram questão de que é necessário porque lhe permitirá ao país receber investimentos e aceder ao mercado internacional de capitais para solicitar empréstimos com baixas taxas de juros.

Nas primeiras três sessões, governadores provinciais e empresários deram seu apoio à proposição, entretanto líderes sindicais, exceto o do sindicato dos aeronáuticos, recusaram os acordos com os grupos da usura internacional.

O secretário-geral da Central de Trabalhadores de Argentina (CTA), Autônoma, Pablo Michelli, por exemplo, considerou que “não é real o que dizem que chegarão investimentos externos e empréstimos.

“Não vão chegar porque estamos em um momento de crise mundial e essa crise afeta os países do capitalismo desenvolvido, com Estados Unidos à cabeça”, manifestou e recomendou suspender os pagamentos enquanto se investiga a origem dessa dívida.

Outros líderes sindicais alertaram que este novo endividamento o terminam pagando sempre os trabalhadores, o acordo não dá garantia que não tenham novos pleitos contra o país e gera uma situação de risco.

O economista especializado em temas de dívida externa Eduardo Basualdo enfatizou que a CTA se opõe também porque se trata de uma imposição externa que está fixando os prazos e as condições.

Basualdo considerou que há pressão sobre o tratamento do projeto, ao que qualificou de apressado e “por isso tem um alto coeficiente de risco”.

Previu que o pagamento aos abutres trará “endividamento, recrudescimento da fuga de capitais, redução do investimento privado e crescimento do desemprego”. Não obstante, antecipou: “se equivocamo-nos vamos reconhecê-lo”.

Não obstante, os políticos encaminham-se a dar o visto bom na terça-feira e passá-lo ao pleno do Senado em 30 de março.

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