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domingo, 26 maio, 2024

Sem participação da Petrobrás no leilão da ANP, operadoras estrangeiras avançam sobre a Bacia de Santos

Mais uma vez o governo Bolsonaro colocou em leilão blocos de exploração de petróleo

próximos a áreas de conservação ambiental, como o Arquipélago de Abrolhos, no Sul da Bahia. A pressão das entidades, entre elas a FUP, surtiu efeito e não houve ofertas para as áreas com maiores riscos ambientais.

Sem a participação da Petrobrás no leilão, as multinacionais Shell, Ecopetrol e Total arremataram oito áreas exploratórias na Bacia de Santos, que representam 98% do total de R$ 422,4 milhões arrecadados pelo governo nesta quarta-feira (13).

A ANP recebeu lances para 59 das 379 áreas ofertadas, localizadas em 14 setores exploratórios de sete bacias marítimas e terrestres: Santos, Pelotas, Espírito Santo, Recôncavo, Potiguar, Sergipe-Alagoas e Tucano. Os blocos localizados no entorno do Arquipélago de Abrolhos não receberam lances.

Os maiores lances foram dados pela francesa Total Energies, que ofereceu R$ 275 milhões por duas concessões, e pelo consórcio formado por Shell e Ecopetrol, que já haviam atuado em parceria no último leilão da ANP, em 2021. As duas empresas ofereceram R$ 140, 2 milhões por seis áreas. As concessões, apesar de estarem fora do chamado polígono do pré-sal, estão localizadas em áreas com grande potencial de produção de gás natural.

Este foi o terceiro leilão da ANP no modelo de oferta permanente, com licitações realizadas sob demanda, quando as empresas demonstram interesse por áreas disponíveis.

A ANP ainda prevê para este ano mais um leilão, desta vez no modelo de partilha de produção, em áreas do pré-sal.

Leia também: FUP denuncia reutilização de parecer em nova tentativa de venda de áreas sensíveis para a exploração de petróleo
3R Petroleum e outras operadoras arremataram novas áreas terrestres

Confira o levantamento feito pela agência epbr  das empresas que adquiriram blocos marítimos e terrestres no leilão da ANP:

TotalEnergies (100%): Pagou, sozinha, R$ 275 milhões em bônus de assinatura em dois blocos na Bacia de Santos. Nos dois casos, superou as ofertas da Shell/Ecopetrol.
Shell (70%)/Ecopetrol (30%): O consórcio vai desembolsar R$ 140 milhões por seis blocos na Bacia de Santos. Em quatro dos blocos arrematados, superou os lances da TotalEnergies. Do total, a Shell pagará R$ 98 milhões e a Ecopetrol, R$ 42 milhões.
Petro-Victory (100%): A empresa pagará R$ 1 milhão por 19 blocos na Bacia Potiguar.
Origem Energia (100%): A empresa adquiriu 14 blocos na Bacia Sergipe-Alagoas, por R$ 1 milhão em bônus de assinatura. Também levou quatro blocos na Bacia Tucano Sul, por R$ 1,2 milhão.
3R Petroleum (100%): Arrematou seis blocos na Bacia Potiguar, por R$ 1 milhão.
Petroborn (100%): Adquiriu dois blocos na Bacia do Recôncavo, por R$ 570 mil.
NTF (100%): A companhia arrematou o bloco REC-T-24, na Bacia do Recôncavo, por R$ 501 mil.
NTF (50%)/Newo (50%): O consórcio levou o bloco REC-T-191, na Bacia do Recôncavo, por R$ 80 mil.
CE Engenharia (100%): A empresa arrematou o bloco ES-T-399, na Bacia do Espírito Santo, por R$ 205 mil.
Imetame (30%)/Seacrest (50%)/ENP (20%): O consórcio levou o bloco ES-T-528, na Bacia do Espírito Santo, por R$ 150 mil.
Imetame (30%)/ENP (70%): Arrematou dois blocos na Bacia Tucano Sul, por R$ 1,3 milhão.

[Da imprensa da FUP, com informações da epbr e das agências de notícias]

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