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sábado, 22 junho, 2024

Segundo turno eleitoral no Equador, a disputa pelos votos

Quito (Prensa Latina) Analistas alertam nesta quarta (23) que o atual cenário eleitoral no Equador é semelhante ao de 2021, quando os votos dos candidatos de direita deram a Guillermo Lasso a vitória sobre Andrés Arauz.

Tal como nesta disputa, nessa altura havia, de um lado, o Correísmo, representado por Arauz, e do outro, a elite económica e empresarial com Lasso à frente.

As eleições de 20 de agosto confirmaram que a Revolução Cidadã (RC) é o movimento político mais forte do país, cuja candidata presidencial Luisa González ficou em primeiro lugar entre os oito candidatos e garantiu uma grande bancada parlamentar, embora sem conseguir a maioria.

González venceu a votação em 14 províncias do país, enquanto Daniel Noboa, seu candidato no segundo turno, ficou em primeiro lugar em seis territórios.

Ambos vão disputar a liderança do Executivo numa votação que terá lugar no dia 15 de outubro e onde estarão em jogo os votos do eleitorado dos seus adversários.

Enquanto o representante do movimento correista procura devolver ao país os tempos em que a nação tinha segurança e tinha uma economia estável, com saúde, educação e desenvolvimento social, Noboa descartou a ideia de formar uma “coligação anticorreista”. e garantiu que é a favor de um novo projeto que mude a forma de fazer política no país andino.

No entanto, o mais jovem dos candidatos à Presidência, empresário e ex-legislador, pretende intensificar o trabalho nos territórios para disputar votos para o Correísmo, mesmo em redutos tradicionais como Manabí, onde o RC poderia ter garantido votos.

Entretanto, vários dos outros aspirantes ao Executivo já definiram o seu apoio. Jan Topic, Otto Sonnenholzner e o ex-ministro do Interior Patricio Carrillo, agora membro do movimento Construye, revelaram que os seus votos irão para Noboa.

É isso que está em jogo, equatorianos, outro governo de “empresários”, onde até a chanceler será uma empresária, ou um governo verdadeiramente popular e baseado na grande maioria, não em poucas empresas, alertou o ex-presidente Rafael Correa (2007 – 2017) por meio de sua conta na rede social X, antigo Twitter, nesse cenário.

Correa afirmou que agora existem dois modelos que se enfrentarão nas urnas: o modelo empresarial, promovido por Noboa, contra o modelo popular e cidadão, liderado por González.

Por sua vez, o analista Mauro Andino alertou que nunca será conveniente unir o poder económico ao poder político.

Uma democracia que procura o bem comum não deve ser capturada pelos intervenientes mais poderosos do sistema empresarial ou financeiro. Entregar a liderança do Estado a um agente económico que deve ser controlado e regulado por esse mesmo Estado só aumentará a desigualdade e a pobreza, apontou.

Neste sentido, Silvana Tapia, doutora em Estudos Sócio-jurídicos, sublinhou que é positivo que muitas sugestões de candidaturas presidenciais estejam relacionadas com a moderação do confronto beligerante. No entanto, ele sugeriu que nenhum dos lados deveria menosprezar os eleitores do outro. É preciso entender as reconfigurações, mas também as constantes políticas, disse.

O candidato RC, tem 33,47 por cento dos votos e Noboa, da coligação Acção Democrática Nacional (ADN), com 23,48 por cento, procura realizar o sonho do seu pai, Álvaro Noboa, cinco vezes candidato à presidência sem sucesso.

O que vemos no Equador é uma disputa entre aqueles que estão comprometidos com a construção de uma economia social e aqueles que defendem a manutenção do modelo neoliberal, lá no fundo da tensão política, confirmou o historiador Juan Paz y Miño.

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