Por Wilfredo Camero Hernández
Sala de Imprensa de Cuba
Em declarações exclusivas à Prensa Latina, no contexto das comemorações do Dia da Rússia, em 12 de junho, o diplomata explicou a situação que o povo russo enfrenta atualmente em consequência da agressão armada contra a nação e denunciou a intenção de estrangular economicamente o país eslavo e promover campanhas neofascistas em toda a região.
Ele afirmou que a Rússia não cederá à agressão sofrida pelos povos da região de Donbas e explicou que o verdadeiro culpado pelo início do conflito atual é a União Europeia, que está usando o governo neofascista de Kiev como ponta de lança.
“Atualmente, estamos testemunhando o ressurgimento do fascismo e do neofascismo na região. Os europeus não apenas estão fechando os olhos para isso, como também estão financiando o regime liderado por Volodymyr Zelensky com armas e recursos financeiros. Refiro-me, sobretudo, ao que está acontecendo na Ucrânia e nos Estados Bálticos”, afirmou.
Ele lembrou que, desde 2014, mais de 32 mil medidas unilaterais foram impostas contra Moscou, as quais, no entanto, não conseguiram deter o desenvolvimento da economia russa, e afirmou que seus efeitos são mais prejudiciais ao adversário. Portanto, afirmou, as perdas para a economia europeia variam entre 1,5 e 2,5 trilhões de euros.
Ele afirmou que seu país busca a paz e a tranquilidade dentro de suas fronteiras, mas agirá com firmeza enquanto persistirem as ameaças da Organização do Tratado do Atlântico Norte, e responderá a todas as ações contra sua população civil.
Ele citou como exemplo o ataque de 22 de maio contra uma residência estudantil na região de Luhansk, onde estavam 84 crianças entre 14 e 18 anos, e que causou a morte de 21 delas.
O embaixador defendeu a transição para uma ordem mundial multipolar e criticou o que a Rússia considera práticas neocoloniais do Ocidente, incluindo novas formas de dependência tecnológica.
Muitos países perceberam que as potências ocidentais continuam a explorá-los usando métodos neocoloniais. Agora, elas também estão usando tecnologias de ponta, como a inteligência artificial, observou ele.
Em relação às relações com a América Latina, ele observou que toda a região e o Caribe são muito importantes para o seu governo, mas Cuba ocupa um lugar especial.
Ele lembrou que os laços entre os dois povos remontam ao século XIII e destacou episódios históricos compartilhados, desde as guerras de independência de Cuba até a Segunda Guerra Mundial.
Há depoimentos dos três mambises russos que lutaram por Cuba sob o comando de Antonio Maceo e os feitos dos três jovens cubanos que serviram nas fileiras do Exército Vermelho durante a Grande Guerra Patriótica.
Ele também reconheceu as dificuldades que surgiram após a desintegração da União Soviética e destacou o papel do líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro, e de Vladimir Putin na reaproximação entre as duas nações, após a visita do líder russo a Havana em 2000.
“Após o colapso da URSS, nossas relações bilaterais tiveram seus altos e baixos. A partir de 2000, com o presidente Putin, a Rússia começou a recuperar sua posição no cenário internacional. Graças às contribuições do Comandante-em-Chefe Fidel Castro e do General do Exército Raúl Castro, conseguimos recuperar o que havia sido perdido”, disse ele.
Ele também destacou que, nos últimos anos, as relações entre Havana e Moscou se desenvolveram intensamente em diversas áreas de cooperação, e que atualmente seu desenvolvimento dinâmico abrange aspectos econômicos, culturais, educacionais, comerciais, científicos e tecnológicos.
Como expressão disso, ele destacou os resultados positivos da recente Comissão Intergovernamental Conjunta e do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, bem como o papel da companhia petrolífera Zarubezhneft nos projetos em andamento para aumentar a produção do campo de Boca de Jaruco.
Ele especificou que existem atualmente projetos de desenvolvimento no setor de transportes e anunciou a chegada iminente a Havana de carros modernos da marca Moskovish, incluindo veículos elétricos, para fortalecer o sistema de táxis da capital.
O diplomata lamentou a suspensão temporária dos voos diretos desde fevereiro passado devido à falta de combustível, embora tenha expressado confiança na recuperação do turismo da Rússia para Cuba, a segunda maior fonte de visitantes em 2024.
“Os russos sonham em continuar visitando a ilha para desfrutar de seu clima, suas praias e a hospitalidade do povo cubano”, disse ele.
Ele enfatizou a posição do Kremlin sobre as ameaças contra Cuba e expressou seu apoio inabalável à soberania e independência da ilha caribenha. Afirmou que nenhuma ameaça, incluindo intervenção militar, será capaz de subjugar o povo cubano.
Em mensagem ao povo de Cuba, ele expressou que esta nação caribenha e seu povo sempre podem contar com a Rússia, em todos os cenários, e enfatizou que sua história compartilhada tem sido um exemplo claro de que Moscou jamais abandonará seus amigos.