Durante seu discurso na sessão dedicada ao tema “Construindo novas alianças e reconstruindo a solidariedade internacional”, realizada na cidade francesa de Évian, Lula defendeu reformas nos mecanismos globais de financiamento e questionou a inadequação das respostas internacionais às crises contemporâneas.
Segundo a revista Focus, o presidente afirmou que, desde 2003, a comunidade internacional tem enfrentado crises sucessivas, mas não tem conseguido construir soluções coletivas e duradouras.
Ele também criticou as políticas de austeridade, o ressurgimento do protecionismo e as tendências unilaterais nas relações internacionais.
Referindo-se às desigualdades entre os países desenvolvidos e as nações do Sul Global, Lula afirmou que o fosso entre as duas realidades não está diminuindo e alertou para a persistente concentração de riqueza.
O líder, que participa pela décima vez como convidado de uma Cúpula do G7, lembrou que o mundo enfrenta um déficit anual de quatro trilhões (milhões de milhões) de dólares para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas.
Ele também defendeu a necessidade de aumentar o financiamento climático para pelo menos US$ 1,3 trilhão, a fim de acelerar a implementação dos compromissos assumidos no Acordo de Paris.
O presidente brasileiro também abordou o peso da dívida externa sobre as economias em desenvolvimento, observando que esses países transferem cerca de US$ 1,4 trilhão anualmente para cumprir suas obrigações financeiras, um valor que supera em muito a ajuda que recebem.
Como alternativa, ele defendeu mecanismos de financiamento inovadores, incluindo a troca de dívida por ações climáticas ou investimentos sociais, com o objetivo de expandir a capacidade de investimento das nações mais vulneráveis.
Ele também relacionou o desenvolvimento sustentável com a luta contra o crime transnacional e defendeu uma estratégia coordenada para combater o tráfico de drogas, a lavagem de dinheiro e o tráfico ilícito de armas por meio de maior cooperação entre os Estados e as organizações internacionais.
Ele também enfatizou a importância de garantir um acesso mais equitativo a tecnologias avançadas, como a inteligência artificial.
Em sua visão, as transições energética e digital não devem reproduzir os padrões históricos de concentração dos benefícios econômicos, mas sim promover a industrialização, a transferência de tecnologia e o treinamento em países produtores de minerais estratégicos.