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terça-feira, 16 junho 2026

Relatório revela que só 25% dos F-35 estão aptos, ampliando crise na frota dos EUA

Sputnik – Com capacidade plena caindo para 25%, a prontidão do F‑35 despencou em 2025 enquanto o Pentágono tenta conter atrasos de software, falta de peças e custos crescentes, mesmo depois de ter lançado um plano bilionário para recuperar a disponibilidade da frota até 2030, aponta relatório do governo norte-americano.
A prontidão do F‑35 continuou a cair até 2025, segundo um relatório do Escritório de Prestação de Contas do Governo (GAO, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, com a taxa de plena capacidade operacional recuando para 25%. A capacidade operacional geral também diminuiu de 67% em 2021 para 44% em 2025, evidenciando dificuldades persistentes de manutenção e disponibilidade da frota.

O relatório atribui parte da queda a novos caças que não conseguiram cumprir missões devido a atrasos de software, além de escassez de peças e corrosão. O GAO reforça que o F‑35, embora seja o sistema de armas mais caro do Departamento de Defesa dos EUA, não atingiu metas de desempenho e enfrenta custos de manutenção crescentes.

Como resposta, o Escritório do Programa Conjunto lançou em 2025 a Reinicialização da Solução de Suporte Global (GSS, na sigla em inglês), que busca elevar a capacidade operacional a 80% e a plena capacidade a 65% até 2030. A iniciativa exigirá US$ 13,7 bilhões (cerca de R$ 74,8 bilhões) adicionais até 2031, valor que deverá ser incorporado aos orçamentos anuais das Forças Armadas norte-americanas.
Desse total, apenas US$ 2,2 bilhões (mais de R$ 12 bilhões) são destinados diretamente à Reinicialização da GSS, enquanto cerca de US$ 11,5 bilhões (aproximadamente R$ 62,8 bilhões) cobrem a diferença entre o orçamento militar e o custo real de manter a frota. O GAO alerta que a prontidão pode piorar antes de melhorar, com efeitos possivelmente visíveis apenas após 2026.
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O relatório também aponta riscos significativos, como a dependência de mais de US$ 7 bilhões (cerca de R$ 38,2 bilhões) em peças fornecidas pela indústriaapesar de limitações persistentes na produção de componentes críticos. Um estudo da Lockheed Martin identificou 48 peças cuja fabricação não atende à demanda, incluindo cabines, já conhecidas como um dos principais gargalos de disponibilidade.

Para além disso, os custos crescentes ameaçam a sustentabilidade do programa. Segundo o relatório, até meados da década de 2030, o GAO projeta um déficit anual de US$ 1,2 bilhão (mais de R$ 6,5 bilhões) entre o custo de manutenção e o que as Forças Armadas dos EUA afirmam poder pagar, que pode ser ainda maior, já que as estimativas podem estar defasadas, pois não incluem impactos de operações recentes que aumentaram horas de voo.

O GAO também constatou falhas nos incentivos pagos à Lockheed Martin: entre 2020 e 2023, a empresa recebeu mais de US$ 114 milhões (aproximadamente R$ 622 milhões), mesmo com indicadores estagnados ou em queda. Em diversos períodos, metas foram ajustadas para cima, elevando artificialmente os pagamentos.
Se o Pentágono não revisar a estrutura de incentivos, desenvolver planos de mitigação de riscos e implementar um sistema confiável para rastrear pagamentos, o programa corre sérios riscos de ver sua capacidade de implementação comprometida.

Apesar de tantos problemas, o F‑35 segue como espinha dorsal da aviação de combate dos EUA, com mais de 800 unidades em operação e planos de adquirir cerca de 1.700 adicionais até meados da década de 2040.

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