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sexta-feira, 1 março, 2024

 Por que Israel não para guerra genocida contra palestinos?

Reprodução da internet

César Fonseca

Simples, porque sem guerra – que une Estados Unidos e Israel –, o desemprego cresce, incontrolavelmente, derruba o governo israelense e joga o capitalismo americano em crise total.

Nesse cenário é necessário, sempre, voltar ao conselho do economista inglês, John Maynards Keynes, em 1936, ao presidente americano, Franklin Delano Roosevelt, sobre como vencer a crise de 1929, que durou até 1943:

“Penso ser incompatível com a democracia capitalista que o governo eleve seus gastos na escala necessária capaz de valer a minha tese – a do pleno emprego –, exceto em condições de guerra. Se os Estados Unidos se INSENSIBILIZAREM para a preparação das armas, aprenderão a conhecer a sua força.”

Roosevelt repetiu Hitler, cujo mago das Finanças nazistas Hjalmar Schacht comungava com o  autor de “Teoria do Emprego, do Juro e da Moeda”: elevar os gastos públicos para vencer lassez faire, ampliando a dívida pública, com emissão estatal como nervo vital da guerra, conforme já dizia Colbert, também, mago das finanças de Luís 14 e guru de Keynes.

O capitalismo dos anos vinte do século passado, ancorado na produção de bens duráveis, movida a crédito privado, perdera, com o crash, a capacidade de reprodução ampliada do sistema; o Estado teria, então, que virar o consumidor salvacionista, emitindo sua própria moeda para comprar mercadoria que só ele podia consumir: produtos bélicos e espaciais, guerras, destinados à simples destruição, razão pela qual Lauro Campos, em “A crise da ideologia keynesiana”, destaca que o capitalismo, desde então, depende da produção não de mercadorias, mas de não-mercadorias.

A produção de bens duráveis continuaria, sem mais constituir-se na locomotiva do capitalismo americano, limitando-se à oferta escassa para sustentar limitada taxa de lucro, de modo a fugir da deflação, que emergiu destruidora em 1929.

A inflação, unidade das soluções, aleija o sistema, mas a deflação, erro eterno, mata, dizia o genial economista inglês.

Nascia o capitalismo de guerra keynesiano, que usa a dívida pública para esconder a inflação, de modo a fugir da deflação, ao puxar a demanda global, totalmente, incompatível com equilíbrios orçamentários, para não ter que voltar à etapa anterior do sistema capitalista, dependente do ouro como padrão monetário.

A moeda estatal inconversível, cuja representação atual, é o dólar, balançado, agora, pela dívida pública americana que já ultrapassa 30 trilhões de dólares e se transforma em freio ao próprio capitalismo com sua prefiguração puramente financista, sinaliza o que dá título ao genial livro do marxista senador Lauro Campos, pouquíssimo lido e debatido pela esquerda e pelo PT que o vomitou, espetacularmente, levando ao PDT de Brizola.

E o que tem com isso Israel e o genocídio que o nazifascista Benjamin Netanyahu promove em Gaza, dizimando os palestinos e sua nação soberana pela resistência heroica que a sustenta?

ISRAEL, OXIGÊNIO DO

CAPITALISMO AMERICANO

Simplesmente, tudo, porque Israel é a face keynesiana da guerra patrocinada pelos Estados Unidos como nervo vital da sua existência; sem a guerra, empreendida pelo sionismo nazifascista, o capitalismo keynesiano de guerra entra em crise total, elevando exponencialmente a taxa de desemprego, tanto nos Estados Unidos como em Israel.

Da mesma forma, sem a guerra impulsionada pela dívida pública americana, pintaria o colapso da financeirização econômica em forma de hiperinflação que jogaria o capitalismo no chão; Israel, filho bastardo do imperialismo americano guarda em si a contradição que está na raiz do imperialismo keynesiano que se exausto e incapaz de puxar a demanda global capitalista ocidental para fazer frente ao capitalismo de estado chinês.

Configura-se o cenário gigantesco traçado por Jack London, em 1914, em Tacão de Ferro”, prefaciado por Anatole France, em 1936, e posfaciado por Trotski, em 1937, de que a batalha final do capitalismo se dará no confronto entre o oligopólio público e o oligopólio privado; aquele, em nome do interesse público, será, segundo London, o vencedor, enquanto o segundo se sucumbirá na especulação financeira gerada pela guerra imperialista.

Trump, que tentará voltar à Casa Branca, já reconhece a superioridade chinesa, impulsionada pelo oligopólio estatal, fomentado pelo juro barato (quase negativo), ofertado pelos bancos públicos chineses, enquanto o oligopólio privado, no ocidente, depende da financeirização, cujo oxigênio é o juro alto, sem o qual o império desaba por falta de competitividade; por isso, Trump promete baixar tarifa de 60% sobre importações chineses, se eleito presidente dos EUA.

A derrocada da financeirização global americana, essencialmente, guerreira, que, nesse instante, derruba a Europa inteira, subordinando-a à dobradinha Rússia-China, coloca como parceiros da desgraça capitalista Estados Unidos e Israel num mesmo saco.

Biden e Netanyahu, aliados estratégicos, estão dando o abraço dos afogados no colapso da financeirização imperialista.

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