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domingo, 14 julho, 2024

Popularidade de Macri desaba após segundo mês de mandato

 Victor Farinelli
Depois do aumento das tarifas de energia e as demissões no setor público, a popularidade de Mauricio Macri sofreu grande queda.

A lua de mel do presidente Mauricio Macri com a opinião pública argentina, devido ao mandato recém iniciado – fenômeno que costuma favorecer os mandatários de primeira viagem –, começa a sofrer com precoces sinais de desgaste.

Entre o primeiro e o segundo mês de governo, sua popularidade sofreu uma importante queda, de dez pontos ou mais, numa tendência que se refletiu em diferentes medições publicadas na semana passada – poucas delas com repercussão na imprensa brasileira, por motivos que podemos supor, bastando ver o que indicam as cifras.

O levantamento do Centro de Estudos de Opinião Pública (CEOP) fez uma separação entre as opiniões a respeito da gestão e da imagem do presidente, mostrando números preocupantes em ambos os quesitos. Em fevereiro, a imagem de Macri foi considerada positiva por 53,9% dos entrevistados, uma queda de quase 10 pontos com relação à medição anterior (63,3%, em janeiro). Ainda assim, o saldo no quesito imagem pessoal se mantém favorável, já que a imagem negativa foi apontada por 40,9%.

Com relação à gestão de governo, as notícias são bem piores para Macri, pois o saldo é negativo. Foram 49% os que disseram desaprovar a gestão de governo nestes primeiros dois meses, enquanto 48,1% a aprovaram. A diferença pode ser pequena, mas a reviravolta na direção da desaprovação é bastante relevante. Além disso, os detalhes dessas cifras também complicam o presidente, pois entre os que aprovam sua gestão, os que o fazem moderadamente (32,4%) são mais que o dobro dos que o apoiam de forma mais clara (15,7%). No caso da rejeição, os que afirmam estar bastante contrariados (29,8%) são bem mais do que os levemente descontentes (19,2%).

Números que o analista político Roberto Bacman, diretor do CEOP, dizem ter relação com uma frustração do eleitorado com a ilusão criada durante a campanha.

“Macri venceu um segundo turno que mostrou um eleitorado bastante dividido, e o fez graças a uma promessa, usando um conceito genérico de `mudanças´, sem maiores precisões, especialmente no que se refere à economia. Na medida em que a opinião pública começa a entender o verdadeiro sentido das tais mudanças, o cenário vai se transformando”, comentou Bacman, em entrevista para meios argentinos, durante a divulgação da pesquisa.

Preocupação com a economia

A pesquisa do CEOP também indica que a política de demissões massivas no setor público e o forte aumento das tarifas de energia devido ao fim dos subsídios estão entre as que mais desagradaram o público, o que levou Bacman a apontar a economia como a principal razão pela queda brusca na popularidade de Mauricio Macri. “A preocupação com a economia hoje é muito maior na população do que a falta de segurança, tão insuflada pelos meios de comunicação, e isso se reflete claramente na opinião sobre a gestão de governo”, afirmou o analista político.

O CEOP não foi o único instituto a divulgar pesquisas na última semana. Uma das outras pesquisas, a consultora Ibarómetro, mostra mais claramente o aumento da preocupação com a economia, apontando que 71,3% dos argentinos considera que a inflação aumentou significativamente nos últimos dois meses. Outros 47,3% disseram ter percebido um maior desemprego, enquanto 45,7% reclamaram de um crescimento da pobreza.

A pesquisa do Ibarómetro também mediu a imagem pessoal de Macri, não sua gestão, e indicou que a imagem do presidente atualmente é positiva para 55,9% dos cidadãos – quase dez pontos percentuais menos que os 65,6% de dezembro, na última sondagem –, enquanto a negativa ficou em 37,6% – um aumento de doze pontos na rejeição, que em dezembro ficou nos 25,3%.

A consultora Dicen também apresentou seus números, mostrando não só a mesma tendência de queda brusca na aprovação de Macri, como um saldo negativo para o presidente. A pesquisa nesse caso perguntou apenas sobre a gestão de governo, e apontou que a aprovação à atuação do presidente caiu de 51% em janeiro para 41% em fevereiro – novamente, dez pontos a menos entre uma medição e outra –, enquanto a desaprovação também cresceu abruptamente: de 37% a 46%. A diferença de 5% em favor da rejeição está acima da margem de erro, de três pontos.

Sobre a preocupação com a economia, a Dicen criou uma escala de 1 a 9, para avaliar a sensação atual e as expectativas dos cidadãos. A média a respeito da situação atual da economia do país foi de 3,7 – semelhante aos 3,8 de janeiro e de dezembro. Porém, com respeito à situação econômica pessoal, a media de 4,3 mostrou uma queda acentuada com relação aos 5,0 de dezembro.

Quanto às expectativas sobre a economia, a medição também revelou que o otimismo diminui. Em dezembro, a avaliação sobre a situação da economia do país dentro de um ano era de 5,7, dentro da mesma escala de 1 a 9. Já em fevereiro, essa perspectiva caiu para 4,8. Com relação à situação econômica pessoal, a queda foi de 5,8 em dezembro para 5,0 em fevereiro.

Créditos da foto: Casa Rosada

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