Durante a primeira audiência de justiça comunitária indígena, as lideranças apresentaram como prova três celulares com entre três mil e cinco mil arquivos, cujos dados confirmariam que eles estavam, de fato, seguindo Iza, a quem identificaram como a “cobaia” ou “capivara”.
O processo será retomado nesta quinta-feira às 13h (horário local) na comunidade de Planchaloma, segundo o Movimento Indígena e Camponês de Cotopaxi (MICC).
Por sua vez, a Polícia Nacional entrou com uma ação de habeas corpus para exigir a libertação dos três agentes de inteligência envolvidos na suposta tentativa de assassinato de Iza.
As autoridades negam essa versão, enquanto a Procuradoria-Geral do Estado reconheceu que os policiais “estavam colaborando com os procedimentos dentro de uma investigação preliminar”, embora não tenha fornecido mais detalhes.
Em seu pedido de habeas corpus para impedir processos pela justiça indígena, a polícia confirmou que os policiais estavam cumprindo os procedimentos iniciados pelo Ministério Público.
“Eles foram detidos contra sua vontade (…), evidenciando assim uma real e flagrante privação de liberdade, ilegal, arbitrária e ilegítima, o que constitui uma grave violação da liberdade pessoal e da segurança dos funcionários do Estado”, afirma a ação.
Para o MICC, o pedido de habeas corpus “constitui um ato malicioso e temerário, que viola o princípio do diálogo intercultural entre a justiça ordinária e a indígena, além de revitimizar comunidades que atualmente enfrentam abusos de poder estatal”.
Os policiais foram detidos na noite da última segunda-feira perto da casa de Iza após serem flagrados filmando o ex-líder da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE) de um veículo, e eles ainda afirmam que tentaram atropelá-lo.
Em mensagem publicada na rede social X, Iza culpou o governo pela sua segurança e de sua família após a tentativa de homicídio envolvendo policiais.
Ela lembrou que já foi vítima de assédio, prisão e ameaças, e rejeitou o uso do aparato de inteligência do Estado “para fins de criminalização”.
A justiça indígena no Equador é reconhecida pela Constituição e permite que as comunidades indígenas resolvam conflitos internos de acordo com seus costumes, práticas ancestrais e suas próprias normas.