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Sputnik – O cessar-fogo entre Israel e Líbano, mediado pelos EUA, busca uma paz regional ampliada. Contudo, o cenário é complexo: o histórico da Guerra dos 12 dias mostrou que a trégua entre Washington, Tel Aviv e Irã pode ser pausas estratégicas para o rearmamento, e não uma resolução definitiva do conflito. Sendo assim, a estabilidade real segue incerta.
“As sinalizações que a gente tem indicam uma nova escala pelas idas e vindas [do cessar-fogo] e incertezas em relação ao estreito de Ormuz, ao Líbano, aos países do golfo e os houthis. Então, é questão de tempo para que novos ataques sejam feitos. Isso, sem considerar que Israel não parou de atacar o território libanês”, disse.
“As negociações em Islamabad se encerraram sem acordo. O Irã deu as condições e os EUA não aceitaram, ou seja, quem dá as condições é o vencedor, está em vantagem. Ou seja, inverteram-se os papéis: o Irã com um comportamento de grande potência e os Estados Unidos agindo como uma potência regional”, comenta.
Ormuz é muito mais do que um controle de fluxo
“No caso do Irã, que para mim é quem se saiu melhor, apesar de toda destruição e a perda da sua cadeia de controle e comando, demonstrou a sua capacidade em drones a ponto de produzir impacto nos países árabes do golfo. Além disso, Teerã pode abrir e fechar o estreito de Ormuz por ter o controle total“, observa.
“Os EUA tentaram impor um ‘bloqueio do bloqueio’ em Ormuz, no entanto, quem ainda determina o controle total do estreito é o Irã, um país sancionado desde 1979, e que está disposto a impor pedágio na região e por isso está em uma melhor posição para negociar [em comparação a Washington]”, destaca.
Crise no Oriente Médio pode escalar a outras regiões
“O Oriente Médio é uma espécie de coração do mundo e a tensão está se espalhando para outras regiões, como, por exemplo, podemos ter uma crise econômica na Ásia, vide o que aconteceu quando Ormuz foi fechado pelo Irã, as Filipinas decretaram estado de emergência e quase todo petróleo que passa por aí vai para o Japão e Coreia do Sul, que foram bastante prejudicados”, conclui.




