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sábado, 24 fevereiro, 2024

PIPOCAS OLÍMPICAS

 

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Foto: ODD ANDERSEN/AFP/JC

Que ouro sofrido!

Foi nos pênaltis, com uma defesa de Wéverton e a derradeira cobrança (feliz) de Neymar que o Brasil conseguiu vencer a Alemanha na final masculina e ganhar a Medalha de Ouro, a primeira do país no futebol.

Uma nova geração, que faz história e pode significar uma renovação, uma retomada no futebol do país, na seleção. Um alento, depois da decepção da Copa 2014. Somos, enfim campeões olímpicos de futebol. A geração Neymar conseguiu. Muitas lágrimas de alegria no gramado e nas arquibancadas.

– Maracanã cheio, amarelo predominando, entusiasmo e expectativa, mais a presença do campeoníssimo Usain Bolt, o raio, a flecha, ligado na decisão.

Bola rolando:

–  Aos 10’, os alemães acertaram o travessão de Wéverton pela primeira vez, num chutaço da entrada da área. Aos 13’ demos o ar da graça: boa trama, bola cruzada da esquerda e Luan errou na finalização, de frente.

– Jogo duro mas leal, os alemães marcando em cima, fechando-se inteiros sem a bola e avançando em bloco com a posse da pelota. A habilidade individual inventiva contra a disciplina tática coletiva.  Duas escolas, estilos diferentes.

–  Aos 26’, Neymar driblou e levou falta, mais uma, nas proximidades da área; o mesmo Neymar foi para a bola e acertou o ângulo, numa cobrança perfeita: 1 x 0. Neymar comemorou com o gesto (flechada) de Bolt, em direção da arquibancada onde estava o corredor jamaicano, comemorando o gol. Homenagem de estrelas.

–  Aos 30’, numa falta cobrada da esquerda pelos alemães, a defesa brasileira cochilou e por sorte a bola não entrou; na sequência, Wéverton fez grande defesa e salvou o empate.

–  A Alemanha foi pra cima e o jogo ficou mais faltoso. Noutra cobrança de falta, agora da lateral direita, o atacante alemão ganhou pelo alto, testou e acertou o travessão, de novo. Quase o empate.

– O time brasileiro retraiu-se depois do 1 x 0 ou os alemães foram pra cima ? Partida jogada em ritmo intenso, disputada e perigosa. Boa de ver. Briga de cachorro grande.

 – Inibidos Gabigol e Gabriel Jesus, presos na marcação severa, sem achar espaços no primeiro tempo, equilibrado, sem superioridades. Neymar achou o gol, fez a diferença.

 Segunda etapa:

– O Brasil mais contido, os europeus ocupando mais o campo ofensivo. Aos 13 minutos veio o empate. Uma saída de bola errada, os alemães retomaram no meio campo, a nossa defesa desarrumada, veio cruzamento da direita, aconteceu o corta-luz e o complemento seco, de primeira, de frente, rasteiro: 1 x 1. A arquibancada calou-se por alguns instantes.

– E até completar os 90 minutos regulamentares, a equipe brasileira tentou, chegou a criar algumas chances, os alemães na moita, marcando, esperando um erro nosso, mas ninguém mexeu no placar. Neymar já não foi o mesmo nessa etapa, sem brilho, marcação dobrada sobre ele.

– Conforme reza a regra da competição, prorrogação com dois tempos de 15 minutos. Quem tem mais pernas, mais cabeça, quem está com os nervos sob controle? Eles, frios, determinados. A pressão do mundo sobre nós.

– Os brasileiros, empurrados pela torcida, pressionando e os alemães na defesa, mascando, quebrando ritmo, a fim de uma decisão por pênaltis. A grande chance apareceu aos 16 minutos, quando Neymar, já mancando, machucado, deixou Felipe Anderson de cara com o goleiro Horn, que cresceu na frente do atacante e salvou.

– Incrível, eles parecem incansáveis. Ou o jogo coletivo, quando a bola corre mais que o atleta, cansa menos?

– E fomos para as famigeradas cobranças de tiro livre da marca do pênalti. Quem ‘guenta’ mais isso?

– Oba! A Nigéria é bronze no futebol masculino. Venceu Honduras por 3 x 2. Celebro, por identidade baiana nagô.

Nossos heróis

–  Isaquias e sua digníssima mãe – quanta simplicidade e beleza, Brasil puro – tornaram-se ‘celebridades’. Haja câmara e microfone, ao vivo e a cores, encantamentos.  O Brasil mal conhece o Brasil. Ubaitaba, Ubatã… Sabem onde fica? É Bahia, interior, pobreza, na beira do rio de Contas, onde a canoa é meio de vida.

– A dupla de canoístas – Isaquias de Ubaitaba e Erlon Silva de Ubatã – ficou com a medalha de prata na raia da lagoa Rodrigo de Freitas, na manhã de sábado. Os robustos alemães ficaram com o ouro, ultrapassando os baianos na reta final. Remadas históricas.

– Com a prata ganha, Isaquias tornou-se o primeiro brasileiro a conseguir três medalhas numa só olimpíada. Garoto de Ouro. Braço forte, riso bonito, pele brilhosa, pura mistura. Nossa gente é muito maior do que ‘nós & eles’.

–  Replico o comentário do amigo jornalista/escritor Victor Mascarenhas, no face:

“Mais uma medalha para o baiano Isaquias, o único brasileiro na história a ganhar três medalhas numa única edição dos Jogos Olímpicos. Somando as suas três com a medalha de ouro do pugilista Robson Conceição, a Bahia sozinha fica na frente de países como Turquia, Irlanda, México, Noruega, Israel, Áustria e Portugal no quadro de medalhas. E tudo isso sem praticamente nenhum incentivo. Agora imagina se o esporte fosse levado a sério, onde a gente ia parar? É como diz o ditado: “Baiano não nasce, sobe no pódio”

– Com 18 medalhas até agora, o Brasil faz, em casa, os jogos mais produtivos de todas as Olimpíadas das quais participou. Foram 17 em Londres. Se tivéssemos escolas …

– Podemos abocanhar mais uma de ouro neste domingo, no vôlei de quadra masculino. A final é contra a Itália, 13 horas, pra ninguém perder. Olho na telinha.

Ze de Jesus Barreto 20 agosto 2016

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