Os preços do petróleo bruto reagiram fortemente à incerteza. Na quarta-feira, o petróleo Brent, referência internacional, ultrapassou os US$ 95,60 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) era negociado acima de US$ 91, segundo dados divulgados por veículos de comunicação especializados.
A ofensiva militar dos EUA contra alvos iranianos consolidou a retomada das hostilidades no Oriente Médio, aumentando os riscos e as preocupações com o fornecimento de energia por meio de uma das rotas marítimas mais vitais para o comércio global de hidrocarbonetos.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) revisou para baixo, pela terceira vez consecutiva, sua estimativa de crescimento da demanda global para 2026, apontando para um aumento de 0,78 milhão de barris por dia (mbd), o que representa 19% a menos do que suas projeções de junho.
A previsão de consumo global foi ajustada para uma média de 105,94 milhões de barris por dia (mbd), um comportamento decorrente da interrupção do comércio, do conflito armado no Irã e da alta volatilidade dos preços.
Apesar dessa perspectiva, a entidade mantém uma visão otimista sobre a economia global, com uma expectativa de crescimento de 3,1% para este ano.
Em resposta à crise de abastecimento, a OPEP+ continua a ajustar a sua produção. Em setembro de 2026, o grupo dos sete países líderes (OPEP+) concluiu a eliminação do seu corte voluntário de produção de 1,65 milhões de barris por dia, aumentando a sua quota em 188 mil barris por dia em comparação com agosto, para atingir 31,01 milhões de barris por dia.
No entanto, a produção real está abaixo das metas, com números indicando que a aliança produziu cerca de 399.000 barris por dia a menos do que o planejado em fevereiro deste ano, em parte devido a alguns membros não terem cumprido suas cotas.
Nesse contexto de tensões, o acordo anunciado entre Washington e Caracas representa um desenvolvimento geopolítico significativo. O presidente dos EUA, Donald Trump, descreveu o pacto como “o maior acordo petrolífero da história mundial”.
Segundo os termos divulgados, os Estados Unidos obtêm o controle majoritário de 17 campos de petróleo venezuelanos, o que “mais que dobra” as reservas americanas e é alcançado “sem nenhum custo para o contribuinte americano”.
A medida visa assegurar um fornecimento estável de petróleo bruto pesado, geograficamente próximo e menos exposto a interrupções no Oriente Médio, reduzindo a pressão inflacionária interna e garantindo o suprimento de energia para o país diante das ameaças no Estreito de Ormuz.
Por sua vez, a América Latina está se consolidando como o principal motor do crescimento da produção neste ano.
Segundo uma análise da Administração de Informação Energética dos EUA (EIA), a região será responsável por mais de 51% do crescimento da oferta global, contribuindo com cerca de 410.000 barris adicionais por dia.
O Brasil, com seus projetos offshore no complexo de Búzios, liderará a expansão com um aumento estimado de +200.000 barris por dia, seguido pela Guiana, que mantém o crescimento mais rápido do mundo graças ao bloco Stabroek, e pela Argentina, impulsionada pelo xisto de Vaca Muerta.
Esse fenômeno reflete uma descentralização progressiva do crescimento global do petróleo, onde novos investimentos na região estão ganhando uma importância estratégica sem precedentes.