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Postado em 16/05/2020 10:33

Petrobrás resultado 1º TRI 2020: Até quando vão continuar enganando?

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Por  Claudio da Costa Oliveira

INTRODUÇÃO

A atual direção da Petrobrás publicou nesta quinta-feira (14 de maio) o resultado da Companhia no 1º trimestre de 2020. Os números apresentados mostram um prejuízo de R$ 48,5 bilhões, o maior prejuízo em um 1º trimestre da história da empresa.

Recentemente, foi anunciado o resultado do exercício de 2019, um lucro de R$ 40 bilhões, e o atual presidente da empresa, Roberto Castello Branco, proclamou ser o maior lucro da história da Petrobrás. Na verdade um resultado falso, pois tal lucro foi obtido com venda de ativos e não pelo desempenho operacional da Companhia, como registramos no artigo “O roteiro para o fim da Petrobrás já está pronto e em andamento“:

https://aepet.org.br/w3/index.php/conteudo-geral/item/4332-o-roteiro-para-o-fim-da-petrobras-ja-esta-pronto-e-em-andamento

O resultado apresentado agora, no 1º trimestre de 2020, é igualmente falso e faz parte do “Roteiro para o fim da Petrobrás”. O prejuízo de R$ 48,5 bilhões foi causado pelo registro de “impairments” (redução do valor recuperável dos ativos) calculados com base em premissas absurdas, não utilizadas por qualquer grande petroleira mundial.

Que a empresa apresentaria prejuízos nós já sabíamos e tivemos a oportunidade informar aos leitores em diversas oportunidades, como no relato programa Aepet TV “Petrobrás reestruturada para dar prejuízo“:

https://www.youtube.com/watch?v=usRfOpgikhw

De fato a Petrobrás, que apresentou lucros constantes de 1991 até 2013, era uma empresa estruturada para lucrar mesmo em situações adversas. À partir de 2016 a empresa vem sendo dilapidada e hoje encontra-se totalmente desfigurada, sem possibilidade de apresentar lucro com suas atividades operacionais. Mas os prejuízos esperados eram muito menores do que o registrado agora no 1º trimestre de 2020. Então para que antecipar todo este prejuízo?

CÁLCULO DOS IMPAIRMENTS

A Petrobrás sempre avaliou a recuperabilidade de seus ativos anualmente no último trimestre. Neste ano, no entanto, com a ocorrência de fatores que impactaram o mercado de petróleo e a economia mundial, julgaram oportuno antecipar as avaliações.

Para cálculo dos “impairments” lançados no resultado do 1º trimestre de 2020 foram utilizadas as seguintes premissas:

– Preço do Brent US$/barril mantido em US$ 25 durante 2020, evoluindo a US$ 45, até 2024, e mantido em US$ 50 no longo prazo.

– Câmbio mantido em R$ 5,09, em 2020, evoluindo até R$ 4,28, em 2024, e mantido em R$ 3,78 no longo prazo.

A base de cálculo existente considerava um preço de Brent fixo em US$ 65, de 2020 até o longo prazo, e um câmbio evoluindo de R$ 3,85, em 2020, até R$ 3,60, no longo prazo.

A seguir as considerações da atual administração:

considera

Verdadeiro exercício de adivinhação da conjuntura futura, digna de Mãe Diná e outros.

OUTRAS EMPRESAS

A Exxon Mobil, apesar de registrar reservas mais de duas vezes superiores às da Petrobrás, contabilizou “impairments” de apenas US$ 2,9 bilhões neste 1º trimestre.

A Shell, a meu modo de ver muito corretamente, registrou somente perdas referente ao exercício de 2020, desprezando previsões à partir desta data. Desta forma contabilizou “impairments” de apenas US$ 750 milhões neste 1º trimestre.

PROVÁVEL ESTRATÉGIA

Infelizmente o Brasil não dispõem de um imprensa realmente livre e independente.

Nossos principais canais de mídia estão cooptados por interesses contrários ao desenvolvimento da nação. Assim, resultados como o obtido pela Petrobrás em 2019 são mostrados pela mídia como positivos.

É negada à população brasileira o conhecimento sobre a verdade dos fatos. Se a Petrobrás apresentar prejuízo ou lucro o conhecimento do povo brasileiro vai se limitar a isto. Jamais irá saber o que existe por trás dos números finais.

Como para cálculo dos “impairments” foi utilizada a pior das hipóteses para 2020, com o Brent estimado em US$ 25 o barril e o câmbio R$/US$ em R$ 5,09 ( 25 x 5,09 = 127,25 ) o mais provável é que nos próximos trimestres os números melhorem, provocando estornos de “impairments” gerando lucros contábeis. E esta deve ser a estratégia da administração da Petrobrás para exibir um cenário de recuperação no futuro.

Hoje mesmo a Brent já está sendo cotado a US$ 31 o barril e o câmbio superou R$ 5,80 (31x 5,80 = 179,80), um incremento de mais de 40% sobre a premissa adotada (179,80 : 127,25)

Assim, se os resultados previstos pela atual administração para 2020 apresentassem as seguintes perspectivas;

1º trimestre prejuízo de R$ 4 bilhões
2º trimestre prejuízo de R$ 6 bilhões
3º trimestre prejuízo de R$ 8 bilhões
4º Trimestre prejuízo de R$ 10 bilhões
——————————————-
Prejuizo total 2020 R$ 28 bilhões

Isto mostraria para a população brasileira que a empresa estaria no caminho da destruição, com prejuízos crescentes.

Agora, com os “impairments” do 1º trimestre e os estornos que deverão ocorrer nos próximos meses o resultado previsto poderia ser o seguinte :

1º Trimestre prejuízo de R$ 48,5 bilhões (já realizado)
2º Trimestre lucro de R$ 4,5 bilhões (com estornos)
3º trimestre lucro de R$ 6 bilhões (com estornos)
4º trimestre lucro de R$ 10 bilhões (com estornos)
———————————————————–
Prejuizo total 2020 R$ 28 bilhões da mesma forma.

Isto mostraria para a população brasileira uma empresa em franca recuperação, com lucros crescentes.

Vocês podem dizer que, como eles, eu também estou querendo fazer adivinhações. Mas vejam bem, como já verificamos, o cálculo dos “impairments” podem ser manipulados de diversas formas. Chega à ser ridículo.

CONCLUSÃO

O roteiro para o fim da Petrobrás continua em andamento e firme nos trilhos. Pandemia de coronavirus ou briga na OPEP não alteram os objetivos, que incluem não só a destruição da empresa e sua história, como do orgulho de sua força de trabalho, que vem sendo submetida a todo tipo de humilhação.

Em sua mensagem, o atual presidente Castello Branco enfatizou:

“Nosso Conselho de Administração aprovou mudança no modelo de autogestão da AMS – Assistência Médica Suplementar para que através de administração profissional e focada tenhamos uma operação a custos significativamente mais baixos, mais eficiente e capaz de prestar serviços de qualidade bastante superior ao padrão atual. Estimamos que a mudança resulte em economia de R$ 6,2 bilhões nos próximos dez anos”.

Ora, qual a importância de uma economia de R$ 600 milhões por ano para uma empresa cuja receita supera os R$ 400 bilhões anuais? E o pior, tudo feito contrariando o acordo coletivo 2019/2020 e à revelia de mais de 284 mil beneficiários, que sequer foram consultados.

Na administração de recursos humanos, em qualquer empresa decente, são recomendadas competência e liderança. Na Petrobrás atual estes valores foram substituídos por assédio, coação e terrorismo.

*Cláudio da Costa Oliveira
Economista da Petrobras aposentado

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