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quinta-feira, 30 maio, 2024

Outro olhar depois de 100 dias de Arévalo na Guatemala

Cidade da Guatemala (Prensa Latina) A política internacional da Guatemala mantém hoje a mesma linha da administração anterior, disse a analista Lesbia Guadalupe Amézquita, ao avaliar os primeiros 100 dias de Bernardo Arévalo na presidência do país.

Por Zeus Naya

Correspondente-chefe na Guatemala

O atual presidente conheceu e seguiu as mesmas posições de Alejandro Giammattei (2020-2024) em relação a Taiwan, Ucrânia e Israel, com total subordinação aos interesses dos Estados Unidos e da União Europeia, disse o advogado e notário.

Em declarações à Prensa Latina, considerou que o mais lamentável de tudo é que o chefe de Estado continue o seu apoio tácito ao genocídio do povo da Palestina e à ideologia nazi do regime de Kiev.

“Estes primeiros 100 dias de Governo mostram também que Arévalo não tinha pessoas preparadas para acompanhá-lo na tomada do poder”, disse o mestre em Filosofia Jurídica e Política Contemporânea.

Ficou claro – comentou – que não tem apoio popular e embora isso já fosse evidente na forma como chegou ao poder, ficou mais claro quando o viu tomar posse e estar sempre em absoluta solidão, sublinhou.

O povo não o acompanha porque o seu Executivo não tem um plano que esteja em sintonia com as aspirações de justiça social do primeiro, afirmou Amézquita.

“Teremos que ver se depois das eleições nos Estados Unidos, se os republicanos chegarem ao poder, Arévalo consegue permanecer na presidência”, refletiu.

Só o retorno a um processo de transformação social poderá salvar com a política o que não foi conquistado nas urnas, acrescentou o assessor e dirigente do Movimento Sindical, Indígena e Camponês da Guatemala.

No entanto, observou, Arévalo não parece ser um revolucionário, progressista, socialista ou mesmo um democrata.

“O seu discurso, um ataque constante às instituições democráticas e à divisão de poderes, parece mais um sinal de totalitarismo, tanto dele como dos que o acompanham na gestão”, afirmou o entrevistado.

O PROCESSO ELEITORAL MAIS ANOMALOSO DESDE 1986

Na opinião de Amézquita, os primeiros 100 dias do Governo Arévalo devem ser avaliados primeiro com base numa plataforma política fictícia, para cujo estabelecimento foram alegadamente utilizadas uma série de anomalias.

Em segundo lugar, expandiu-se, devido à pressão interna de pequenos grupos que, com o aval da administração anterior, sitiaram o país, unidos num discurso que denunciava externamente um suposto golpe de Estado.

Mas na prática e na realidade – sublinhou o analista – apenas procurou impedir a investigação e a acusação dos responsáveis ​​pela criação alegadamente anómala do partido político Movimento Semilla.

Além disso, estimou, houve uma possível fraude no primeiro turno de votação destinada a que a rejeição da população a Sandra Torres se expressasse nas eleições de Arévalo.

Tudo isto – observou o advogado e notário – acompanhado de perto pela interferência do governo dos Estados Unidos, “que agora parece estar a voltar-se para um maior controlo daquilo que considera ser o seu quintal”.

Isto, destacou, porque foi derrotado juntamente com a Organização do Tratado do Atlântico Norte pela Rússia na guerra na Ucrânia e pela China na esfera económica.

Terceiro, o especialista explicou, internamente devido ao discurso de ódio entre os povos, ao desprezo pela dignidade humana, às instituições democráticas e à política do inimigo que visa estigmatizar e criminalizar aqueles que discordam.

OUTRO PONTO DE VISTA

Na opinião de Amézquita, este é um governo imposto com base numa estratégia que começou por viciar o processo com apelos do ex-candidato presidencial Carlos Pineda ao voto nulo para gerar confusão.

Além disso, mencionou, a rejeição à política e aos partidos mais tradicionais, que continuou com o acordo entre pessoas ligadas a Semilla, Giammattei e ao Tribunal Supremo Eleitoral para que Arévalo passasse ao segundo turno.

Depois continuou com a tentativa de aproveitar o furor eleitoral para destituir a Procuradora-Geral e colocar em seu lugar uma pessoa que garantisse a impunidade, tanto para Semilla como para Giammattei e Miguel Martínez (colaborador próximo do anterior presidente), observou.

Estes 100 dias de governo parecem confirmar este suposto acordo, enfatizou o líder do Movimento Sindical, Indígena e Camponês da Guatemala.

OS PRIMEIROS DIAS

Amézquita descreveu que os primeiros dias da atual administração começaram em meio a um aparente conflito social.

O descontentamento dos correligionários de Arévalo não representava a maioria da população, nem mesmo uma parte significativa, destacou o entrevistado à Prensa Latina.

Geraram conflitos, acrescentou, para alterar a configuração democraticamente decidida do Congresso, na qual o partido oficial não tem maioria ou um número significativo de deputados para tomar e influenciar as decisões.

O seu objetivo, disse, era submeter uma maioria parlamentar ao serviço de Arévalo, presidido pelo legislador Samuel Pérez, submeter o Poder Judiciário, destituir o Procurador-Geral e os juízes do Tribunal Constitucional.

A ETAPA ANALIZADA

Os primeiros 100 dias do novo Governo na Guatemala continuaram a ser marcados pelo enfraquecimento do Poder Judiciário e do Ministério Público por parte do Executivo, disse o advogado e notário.

Incluía o apelo constante ao intervencionismo por parte dos Estados Unidos, do Ocidente colectivo e da Organização dos Estados Americanos para alcançar este fim.

A proximidade ou possível cogoverno de Arévalo-Giammattei é tão evidente que não houve sequer grandes mudanças na liderança das instituições do Estado, observou o analista.

Mesmo – frisou – permanecem os mesmos assessores do último Governo, e embora tenha sido criado um comissário contra a corrupção, ainda não há queixa contra Giammattei ou Martínez.

Em 100 dias só conseguimos avaliar as tentativas do governo de imitar o presidente anterior, tentando ter o controle de uma maioria qualificada no Congresso, argumentou o especialista.

Da mesma forma, mencionou, o das suas comissões estratégicas, o propósito de impor estados de exceção para evitar controles de gastos, a criação de instituições para duplicar funções, entre outros.

Tal situação, concluiu Amézquita, não poderia ser diferente, se o plano oferecesse a persistência da agenda do sector empresarial em questões económicas e sociais.

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