Montevidéu, 28 de novembro (Prensa Latina) Os crimes da Operação Condor foram denunciados no Uruguai no 50º aniversário da assinatura do ato fundador desse aparato implementado pelas ditaduras de diversos países sul-americanos.
A Diretoria Departamental de Montevidéu reuniu-se no Museu da Memória, nesta capital, e relembrou o pacto entre os regimes de facto do Uruguai, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile e Paraguai, responsáveis por crimes contra a humanidade.
O vereador Diego Romaniello, do partido Frente Ampla (FA), enfatizou que o 50º aniversário “daquela máquina repressiva da história” exige “que não nos esqueçamos, e também nos exige que ajamos”.
Ele argumentou que “hoje a interferência externa não opera mais por meio de ditaduras ou pactos explícitos para violar os direitos humanos”, mas sim que “formas mais sutis persistem”, como “pressões econômicas, condições financeiras, imposições culturais e manipulação midiática e ideológica”.
“Por isso é essencial defender nossa identidade latino-americana, nossas culturas nativas e nossa solidariedade entre os povos”, disse Romaniello.
“Estamos vivendo um momento delicado em que discursos de ódio se tornam virais, corroem a convivência democrática e geram desconfiança”, argumentou ele.
Por sua vez, o vereador do Partido Nacional, Gonzalo Gómez, salientou que evocar a Operação Condor é “lembrar a assinatura do terrorismo de Estado transnacional”, “coordenando mortes, assassinatos e tortura”.
A vereadora da FA, Gimena Urta, afirmou que os arquivos da inteligência militar e os relatórios da Comissão de Paz “possibilitaram a reconstrução das trajetórias das vítimas, locais temporários, deslocamentos transfronteiriços e a coordenação entre os órgãos repressivos”.
Por sua vez, o vereador Juan Ceretta, do partido Broad Front, afirmou que o aniversário “não deve ser apenas um ato de lembrança”, mas um ponto de virada e um compromisso do Estado em descobrir a verdade sobre os desaparecidos.


