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domingo, 19 maio, 2024

O silêncio precede o esporro

Por Eduardo Tito

Informações do Comando Geral da PM, diz que a desastrosa operação que resultou na morte do Subtenente Alves, deu início na tarde desta terça-feira, 27, para recapturar um perigoso traficante e assaltante de banco, Buiu, que BENEFICIADO por uma DETERMINAÇÃO JUDICIAL, tinha sido solto do Complexo Penitenciário de Lauro de Freitas às 13h30 e seria monitorado por uma tornozeleira eletrônica. Logo após receber esse BENEFÍCIO, Buiu rompeu seu equipamento de rastreamento e fugiu.

Na tentativa de recapturar Buiu, a PM chega até o município de Itajuípe onde por volta das 23h do mesmo dia, soldados da Polícia Militar da Bahia invadiram uma pousada, executam um homem (o subtenente Alves) e fere outro (o sargento D’Almeida), ambos também da Polícia Militar da Bahia. Alves e D’Almeida também fazem parte da equipe de segurança do candidato ao governo do estado, ACM Neto (União Brasil).

Relatado o fato acima, surgem as perguntas:

Porque a justiça solta um dos traficantes de drogas mais procurados pela polícia da Bahia? Exemplo do STF que soltou André Rap. Porque é preciso esperar tanto para se julgar tais figuras carimbadíssimas da criminalidade brasileira e, reconhecida mundialmente? É neste longo intervalo de tempo que esses e outros criminosos de alta periculosidade se beneficiam com as brechas da legislação brasileira. Porque a justiça brasileira não considera o histórico do indivíduo para aplicar as benesses da lei? A justiça não sabe quantos policiais militares são executados por traficantes? Ano após ano, só aumenta essa triste estatística. Policiais são humanos. E esses humanos clamam desesperadamente por socorro.

Sim, a “operação” foi um desastre. As PMs do Brasil se lambuzam em seus discursos que são preparadas para o enfrentamento, para conter a desordem, que tem como objetivo preservar vidas. Quantos casos de ações desastrosas das PMs no Brasil resultam em mortes inocentes durante o ano? Porque o alto comando das PMs desconsideram essas lamentáveis estatísticas? O povo, principalmente o povo preto, clama desesperadamente por socorro.

E nossos gestores públicos? Até quando vão tratar desses assuntos em suas postagens nas redes sociais? Até quando vão apenas investir em carros novos para frotas, roupas novas para os soldados e tchutchucas armas para enfrentar o armamento bélico do crime organizado? Verdade seja dita. O crime é de fato mais organizado do que a gestão pública de segurança na esfera federal e estadual no Brasil. Quando o erro é do opositor às duras críticas são constantemente em todos os meios. Quando é da situação, em alguns casos solta uma nota de repúdio e vamos apurar. “Afinal os gestores não precisam falar de tudo né”?

A justiça brasileira é uma das instituições que mais custam aos cofres públicos. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, em 2020 nosso judiciário gastou mais de R$ 100 bilhões de reais. Se levarmos em conta a qualidade do serviço que a justiça devolve ao povo Brasileiro, podemos sim dizer, desperdiçou R$ 100 bilhões.

Nós, meros cidadãos e cidadãs que vivemos no andar abaixo das realezas do judiciário, dos gestores públicos e abaixo das forças de segurança pública, quem poderá nos informar? Quem? Das Forças Armadas brasileiras até a simples Guarda Municipal. Se cometem um erro, raro são os casos que se manifestam para dar esclarecimento. Judiciário? Esquece! “Deuses” não erram. Errado somos nós que ousamos questioná-los. Gestores públicos? É assim: para levar créditos é coletivas e entrevistas quase que diariamente em vários meios de comunicação. Se for pra explicar um erro, um comunicado nas redes sociais para gerar engajamento e como já disse, em alguns casos uma nota para informar que estão apurando os fatos.

O fato é que a lei não é para todos no Brasil. O silêncio de Charles Chaplin e Mr. Bean nos fazem rir. O silêncio de vocês nos mata e precede um esporro. Uma hora a bomba explode. E os “deuses” não nos acode.

*Eduardo Tito é diretor e editor de Notícias da Bahia

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