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Postado em 14/12/2019 12:07

O que os militares não falam, mas pensam

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Por Antonio Barbosa Filho

Em plena ditadura (a anterior) o brigadeiro comandante do Centro Tecnológico Aeroespacial, em São José dos Campos, dizia-me numa daqueles lautos almoços, regados a scotch 18 anos e vinhos franceses, com caviar de abertura: “Veja, a FAB tem 168 brigadeiros, e o Exército tem 300 generais!. Na hora da guerra, somos nós que vamos atacar, não será a infantaria!”. E mais: “Agora a Marinha que só tem o porta-aviões Minas Gerais, sucata da II Guerra, não permite que nossos caças pousem nele”.

Este brigadeiro, cujo nome não citarei porque pode ser punido ainda na reserva, era um daqueles militares que se orgulhavam do Brasil, como tantos que geraram aquele complexo aeronáutico criado em 1950 por militares e civis formados ali, no ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica.

Anos depois o Exército conseguiu criar o Batalhão de Artilharia Anti-Aérea, em Taubaté-SP, ainda comandado por um major. Uma área imensa foi desapropriada, e logo surgiu o Comavex, Comando de Aviação do Exército, que podia operar helicópteros.

Aí o comando já cabia a general de brigada, quase topo de carreira. Então, os cenários que nosso Exército elaborava Parênteses: até a represa Brasil-Paraguai – Geisel e Strossner, o exército tinha como um inimigo naqueles joguinhos de gabinete, a Argentina. Feita Itaipu – que enriqueceu centenas de milicos e civis do regime, era só abrir as comportas que inundariam o Rio de La Plata e afogaria os porteños, em três dias) era uma possível invasão da Amazônia, fronteira maior que a dos EUA com ambos os oceanos, maior que a as costas da Europa inteira.

Por isso o Comando de Aviação tinha sua base em Manaus, com o comando em Taubaté. Perguntei ao general (o primeiro general magro, com físico e cara de combatente que eu conheci, depois daqueles gorduchos e baixinhos que entrevistei na outra ditadura) se helicóptero não seria um alvo fácil para caças modernos. Como podem seus helicópteros saírem aqui de São Paulo em direção ao Norte do Brasil sem serem abatidos a caminho?

E o general me deu uma lição básica: ” quem lhe disse que eles vão voando? Eles são desmontados e transportados via marítima e fluvial. Lá são remontados em cinco horas e estão prontos pro combate”.
Pena que a Esquerda não fala sobre a importante profissão dos militares. Ficamos no trauma da outra ditadura, e nem queremos ouvir o que pensam, o seu papel importante na defesa da soberania nacional e até no atendimento social. Sob Lula, comandante-em-chefe, o Exército abriu estradas, socorreu emergências naturais, manteve-se (como hoje se mantém a Aeronáutica que vela pelos nossos vôos, lembrem-se) e a Marinha (tão ofendida por Temer e Bostonaro).

Do almirante Augusto Rademaker, que fez parte da Junta Militar que deu o golpe de 68 em Costa e Silva, até o tenente-brigadeiro Joelmir Campos de Araripe Macedo, o ministro que ficou mais tempo no poder durante dois governos, mais do que traidor Villas Bôas, do brigadeiro Paulo Vitor, que liderou rebelião contra JK até o coronel Oziris Slva (o ” pai do Bandeirante”, com quem voei boas horas no protótipo daquela matriz hoje com várias versões que uso na Europa) entrevistei a todos, E nunca me discriminaram por ser um cidadão de esquerda, um pirralho jornalista.

Nem os militares têm que ter medo de nós, de esquerda, e muito menos nós deles. Há mais do que uma Bandeira e um Hino a nos unir. Há uma Pátria a ser salva. Na Democracia a gente resolve, cada um no seu papel.

* Antonio Barbosa Filho é jornalista, coordenador do núcleo regional do Centro Barão de Itararé no Vale do Paraíba e auto de “Audálio, deputado”.

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