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quinta-feira, 23 maio, 2024

O poder do exemplo punindo pseudo golpistas

Henrique Matthiesen*
Nada mais didático e eficiente do que o exemplo. A justiça, além de ter seu caráter punitivo, serve, de forma sine qua non, como ação educativa por meio do exemplo, para que maus comportamentos ou pretensões criminosas sejam alertados e advertidos de suas consequências.
Darcy Ribeiro, nosso grande antropólogo dizia: “O Brasil tem uma classe dominante ranzinza, azeda, medíocre, cobiçosa, que não deixa o país ir pra frente.” Primorosa conceituação que se soma a outra frase: “nossa elite tem a mente colonizada.”
É verdade, um dos grandes males de nosso país é a mente atrasada de parte de nossa classe dominante; suas raízes escravocratas e sua falta de aptidão com a democracia e com nossa soberania.
A ação da Polícia Federal, com autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, contra alguns empresários bolsonaristas, que supostamente pregam um golpe de Estado, é essencial e didática.
Diferentemente da liberdade de expressão – valor sagrado de qualquer sistema democrático – a articulação, a pregação, ou o financiamento para atacar a democracia constitui crime, o qual deve ser investigado e punido exemplarmente.
É importante não nos olvidarmos dos exemplos pretéritos de tristes e funestos episódios, onde setores empresariais financiaram e articularam o golpe de 1964; o caso da FIESP e a compra da consciência (se é que tinha) do general Amaury Krüel; sem falar do financiamento dos órgãos de repressão.
Mais recentemente, o papel tosco de setores empresariais na promiscuidade com o Congresso Nacional, cujo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, orquestrou a deposição da presidente Dilma Rousseff e resultou na entrega da Petrobrás aos acionistas internacionais, e a aprovação da reforma trabalhista que retirou direitos dos trabalhadores.
Exemplos não faltam da inaptidão de setores empresariais com a democracia; e, evidentemente, não se pode generalizar: há muitos empresários sérios, corretos, produtivos e democratas. Entretanto, quando a democracia a duras penas conquistada, sofre ataques, é preciso reagir com vigor e firmeza para sua defesa.
Não se pode admitir a impunidade, a promiscuidade e a leviandade que estes empresários tratam a democracia e o país, com tamanha arrogância de se colocar acima da soberania popular.
O Brasil não pode retroceder em suas conquistas democráticas. O comportamento, as ações de vassalagem e desrespeito e os arroubos autoritários não podem ser admitidos.
É fundamental a vigilância constante e ininterrupta da sociedade civil e das instituições para que possamos ter um processo eleitoral justo, tranquilo, onde a vontade soberana do povo possa ser exercida e que os eleitos possam governar.
Para estes golpistas a severidade da lei, o escárnio público e o exemplo para que não mais aventuras golpistas germinem em solo brasileiro, assim como também seria didático, que os ventos do norte contribuíssem com a punição (cadeia) de Donald Trump, para que nossas mentes colonizadas e atrasadas, quem sabe, perceberem que ninguém está cima da lei e do respeito à democracia.
* Henrique Matthiesen, formado em Direito e pós-graduado em Sociologia.

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