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terça-feira, 11 junho, 2024

O grande sonho do Ocidente: as raízes do histórico desejo de desmembrar a Rússia

CC BY 2.0 / Flickr.com / kishjar? /

Sputnik – Há séculos o principal sonho das potências ocidentais tem sido encontrar um meio de enfraquecer e desmembrar território russo. Essa constante geopolítica decorre da ideia de que os recursos, o território e o poderio acumulados pela Rússia no decorrer de sua história são uma ameaça direta aos projetos de dominação global empreendidos pelo Ocidente.

Desde meados do século XIX, estes projetos têm sido encabeçados por poderes europeus como Reino Unido, França, Alemanha e, a partir do século XX, pelos Estados Unidos. Em verdade, sempre existiu uma certa inquietação com o fato da Rússia (seja na forma de Império Russo ou como núcleo decisor dentro da União Soviética) constituir-se como uma “potência fundamental” do sistema internacional. Ora, pelo menos desde o início do século XVIII, após a vitória na Guerra do Norte (1700-1721) contra a Suécia, os russos adquiriram uma importância inegável na resolução e condução dos negócios europeus.
No século XIX, por sua vez, com a vitória sobre as forças napoleônicas, a Rússia adquiriu a alcunha de “gendarme da Europa”, representando então a principal potência terrestre do continente. Com efeito, os países europeus desde então enxergavam com apreensão as capacidades acumuladas pelo Império Russo, cujo território e forças militares se afiguravam como superiores aos recursos combinados de todas as demais potências europeias. Com isto, a avaliação, sobretudo dos britânicos, era de que a Rússia representava uma ameaça a ser detida, e de que a expansão da sua influência regional e continental precisaria ser combatida a todo o custo. A partir deste momento, começou-se a formular ideias sobre a necessidade de enfraquecer a Rússia e, idealmente falando, provocar um desejado desfalecimento de seu gigantesco território.
Esse tipo de pensamento geopolítico, que ganhou corpo especialmente no âmbito da chancelaria britânica do século XIX, fora herdado posteriormente por importantes formuladores de políticas nos Estados Unidos que, com o final da Guerra Fria, ansiavam por um eventual esfacelamento da Rússia, a exemplo do que ocorrera com a União Soviética em 1991.
Não surpreende, portanto, que o ex‑assessor de Segurança Nacional americano Zbigniew Brzezinski, verdadeiro arquiteto do caos, opinasse num artigo escrito em 1997 para a influente revista Foreign Affairs que a Rússia deveria ser politicamente decentralizada, transformando-se numa confederação frouxa composta por três grandes repúblicas: Europeia, Siberiana e Extremo-Oriental. Brzezinski indicava nas entrelinhas que, com esta divisão, o desejado desmembramento futuro da Rússia poderia ser enfim atingido. Para ele, um dos cenários mais perigosos para o predomínio global estadunidense era justamente o (re)surgimento de potências importantes no sistema, com uma disposição propriamente “anti-hegemônica” e capazes de influenciar outros Estados nessa mesma direção. Certamente que para Brzezinski uma Rússia confiante e territorialmente integrada poderia representar exatamente esse tipo de ameaça.

Cientista observa mapa sismiológico da Rússia durante evento na Academia de Ciências da Rússia, Moscou, Rússia, 18 de abril de 2023  - Sputnik Brasil, 1920, 27.04.2023

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