As divergências aumentaram durante as sessões finais entre representantes de vários países, incluindo Argentina e Reino Unido, bem como China e Panamá, enquanto dezenas de documentos permaneceram aguardando uma avaliação de seu potencial impacto real nas nações envolvidas.
Os Estados Unidos deixaram claras suas prioridades para a região, com foco na segurança hemisférica e no combate ao crime transnacional. No entanto, uma das questões que reacendeu antigas disputas foi o conflito entre a Argentina e o Reino Unido sobre a soberania das Ilhas Malvinas.
O representante argentino Juan Manuel Navarro afirmou que o direito à autodeterminação não se aplica ao arquipélago, argumentando que a população residente foi “transplantada por uma potência colonial”. Ele também observou que nenhuma declaração das Nações Unidas apoia a posição britânica sobre o território disputado.
Por trás da controvérsia também estão interesses econômicos ligados ao campo petrolífero de Sea Lion, localizado próximo às ilhas, onde foram descobertas reservas significativas de hidrocarbonetos. Segundo informações divulgadas durante a reunião, empresas britânicas e israelenses planejam extrair até 55 mil barris por dia a partir de 2028.
Por outro lado, a ministra das Relações Exteriores da Colômbia, Rosa Villavicencio, representando o governo de Gustavo Petro, denunciou o que descreveu como tentativas das potências coloniais de “nos fazer retornar às trevas”.
As declarações ecoaram acusações recentes do presidente colombiano sobre suposta interferência estrangeira no processo eleitoral do país, no qual o candidato de extrema-direita Abelardo de la Espriella saiu vitorioso.
“Não é segredo que essas forças começaram com ataques indiscriminados dirigidos ao multilateralismo, mas também à livre ação política do povo”, afirmou o diplomata.
Ele acrescentou que “essas sombras retornaram” e questionou a interferência de potências estrangeiras nos assuntos internos das nações latino-americanas. Outro ponto de tensão surgiu entre o Panamá e a China em relação aos portos de Balboa e Cristóbal.
O que começou como uma controvérsia relacionada à decisão da Suprema Corte do Panamá, que declarou inconstitucional o contrato entre o Estado e a Panama Ports Company (PPC), subsidiária do conglomerado de Hong Kong CK Hutchison, transformou-se em um novo episódio de atrito diplomático entre os dois países.
Em poucos dias, ocorreram diversos eventos que marcaram a escalada da disputa: a revelação de que a Embaixada da China solicitou intervenção no processo constitucional relacionado ao CPP, a resposta de Pequim durante a Assembleia Geral da OEA e, posteriormente, uma declaração da Suprema Corte reafirmando sua independência diante das críticas do gigante asiático.
Durante o encontro hemisférico, o embaixador chinês nos Estados Unidos, Xie Feng, classificou as declarações das autoridades panamenhas como “infundadas” e defendeu tanto as ações das empresas chinesas no exterior quanto as inspeções realizadas em embarcações com bandeira panamenha.
Segundo o diplomata, as empresas de seu país respeitam as leis locais e contribuem para o desenvolvimento econômico das nações onde investem. Ele também rejeitou as acusações de suposta influência política de Pequim na operação dos portos panamenhos.
Por outro lado, as críticas feitas durante a Assembleia Geral a respeito da situação política em Cuba, Venezuela e Nicarágua receberam uma resposta rápida de Havana.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, criticou a OEA por omitir referências à política dos EUA contra a ilha e denunciou uma escalada de medidas coercitivas que afetam seriamente a nação caribenha.
Em uma mensagem publicada nas redes sociais, o ministro das Relações Exteriores classificou como “escandaloso” o fato de a organização hemisférica expressar preocupação com a situação interna de Cuba sem mencionar as ações econômicas, políticas e energéticas que, segundo ele, Washington está aplicando contra o país.
Rodríguez argumentou que essas medidas visam “estrangular” a economia nacional e deteriorar as condições de vida da população, e, portanto, instou a OEA a se manifestar contra o que ele descreveu como uma política “implacável e injustificada”.
Ele acrescentou que o órgão regional deveria agir para pôr fim ao que considerava uma “punição coletiva” contra o povo cubano, que — afirmou — viola o direito internacional e os direitos humanos.
“O Secretário-Geral da OEA não deve ser cúmplice de tal ultraje”, concluiu ele.