Sem música, sem arte, o Brasil não é o mulato inzoneiro da Aquarela de Ary Barroso. Mas nenhum país tampouco vive sem a memória, “a chama da vela que quase se apaga com o sopro do ar”, como canta Ney Matogrosso. Por isso, muitos brasileiros decretaram dentro de seus corações luto oficial pelo falecimento de Marcelo Zelic, membro do Grupo Tortura Nunca Mais (GTNM) e da Comissão Justiça e Paz de São Paulo, ocorrido no mesmo dia do adeus a Rita Lee.
A documentação compilada por Zelic, consultada por acadêmicos e líderes indígenas, contribuiu para reivindicar direitos à terra, à língua e à cultura, além de ter alimentado teses e dissertações, entre outras a de Elena Guimarães e de André Luis Sant´Anna. Leitor do Taquiprati, enviava comentários como na crônica “Universidade, ditadura e crimes contra índios” (30/08/2015), quando deu a dica aos leitores:
A pedido de sua família, Helena, filha de Zelic, escreveu depoimento pungente, mas sóbrio, que destaca a figura pública do pai, mas também quem era ele no recanto do lar: