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sábado, 20 julho, 2024

No interior do Maranhão, mais dois blogueiros assassinados

 Adital

Em oito dias, dois blogueiros foram alvejados por pistoleiros no Estado do Maranhão, enquanto outro está ameaçado de morte. Um cenário hostil à liberdade de expressão. Essa é a situação do Maranhão, hoje. Estado que, neste mês, teve dois comunicadores assassinados em um intervalo de oito dias. O primeiro deles é o blogueiro Ítalo Eduardo Diniz (à esquerda na foto), morto no último dia 13 de novembro, na cidade de Governador Nunes Freire, a 181 quilômetros da capital, São Luís.

Segundo informações da Polícia Civil, dois homens chegaram em uma moto a uma loja onde Diniz estava, e um deles disparou contra o blogueiro. A dupla fugiu em seguida. “Temos pista dos executores, sabemos que são duas pessoas de fora da cidade”, declara Guilherme de Sousa Filho, titular da Delegacia de Homicídios de São Luís, em conversa com a organização Artigo 19.

Oito dias depois do assassinato de Ítalo Diniz, no último dia 21 de novembro, o blogueiro Roberto Lano (à direita na foto) foi assassinado da mesma maneira, em Buriticupu, a 395 quilômetros de São Luís. Lano estava em uma motocicleta com a sua esposa quando foi emparelhado por um homem, também em uma motocicleta, que disparou contra ele. Assim como Diniz, Lano cobria assuntos relacionados à política do município onde vivia e, com frequência, denunciava irregularidades cometidas pela gestão pública local. Recentemente, o blogueuri havia abordado o tema da violência contra comunicadores no Maranhão, em uma postagem em seu blog, sobre o caso do jornalista Décio Sá, assassinado em 2012.

Para conseguir mais informações sobre os casos de Ítalo Diniz e Roberto Lano, a Artigo 19 ouviu depoimentos de blogueiros que já sofreram com intimidações e ameaças, em decorrência das denúncias que realizam em seus veículos de comunicação. Um dos casos mais preocupantes é o do blogueiro Márcio Maranhão, que, desde 2011, está à frente de um blog sobre questões políticas locais. Há alguns anos, ele recebe mensagens de perfis falsos em suas mídias digitais e telefonemas anônimos, que o pressionam a interromper a publicação de matérias com denúncias e críticas a políticos da região. As ameaças foram registradas em boletins de ocorrência, mas nenhum deles deu início a investigações efetivas. Em período pré-eleitoral, as ameaças se intensificaram e ele teme que alguma delas possa se concretizar.

Para a Artigo 19, o número de casos recentes de violência contra comunicadores inseridos em contextos semelhantes ao de Márcio Maranhão exige que as autoridades adotem medidas para garantirem sua segurança. “É dever do Estado assegurar que profissionais de comunicação possam exercer livremente seu direito de informarem a população sobre as ações de seus representantes políticos, sobretudo, durante períodos eleitorais. A experiência tem mostrado que as ameaças contra blogueiros da região têm se desdobrado em assassinatos, o que configura uma situação extremamente preocupante”.

Nesse sentido, assinala a organização, é fundamental que os casos de violações ocorridos até o momento sejam devidamente investigados e seus perpetradores, identificados e responsabilizados. “Considerando que ambos os blogueiros assassinados realizavam coberturas de temas relativos à política, em suas comunidades, é preciso ainda garantir uma investigação isenta de intervenções de poderes locais. Para isso, é imperativo que haja um comprometimento das autoridades estaduais em acompanhar os casos e divulgar informações atualizadas sobre a situação do direito à liberdade de expressão no Maranhão”.

Na descrição do seu blog, Diniz afirma que seu trabalho “nasceu de uma vontade popular de querer um veiculo de comunicação que reivindicasse o direito do povo”. Segundo o delegado, o blogueiro possuía um histórico de ameaças contra ele e, pouco antes de morrer, estaria sendo perseguido por dois homens, em uma moto. Diniz também já havia relatado, em seu blog, ter sofrido agressões verbais e ameaças de um guarda municipal, durante uma sessão da Câmara de Vereadores local.

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