A história deste lugar abandonado, usado pela Marinha do Brasil como alvo para treino de tiros de seus navios, foi resumida na coluna Taquiprati, em 1995, para chamar a atenção de Francisco Weffort, de passagem por Manaus. Mas Velho Airão só foi tombado em 2005 no governo Lula, abandonado depois por Michel Temer, que extinguiu o Ministério da Cultura, o que foi confirmado por seu sucessor, o Coiso.
Mas a população foi dizimada, devido ao brutal sistema de trabalho implantado e às epidemias de sarampo e bexiga. Em 1840, os moradores estavam reduzidos a 440 almas em 50 fogos, segundo Lourenço Amazonas, em seu Dicionário Topográfico, Histórico, Descritivo da Comarca do Alto Amazonas. Foram organizadas, então, tropas armadas para trazerem indígenas de outras áreas.
A cidade, hoje em ruínas, com construções tomadas pela floresta, se tornou um ponto de turismo alternativo, sem qualquer medida de política cultural por parte do estado. A iniciativa de zelar pelo patrimônio público é particular. O nipo-brasileiro Shigeru Nakayama, nascido em 1943, em Fukuoka, no Japão, aos 20 anos de idade se mudou de suutsu keesu (maleta) e negoro (tigela laqueada) para a Amazônia e subiu o rio Negro, agora de mala e cuia, até Airão.
Já com quase 80 anos de idade, Nakayama “se aposentou” e deixou Airão sob a guarda de uma família, que não cuida das trilhas e “demonstra pouco conhecimento da história local, além de cobrar uma taxa de vinte reais por visitação”, segundo um turista de São Paulo, que lá esteve em novembro de 2021.