César Fonseca
A volatilidade acentuada do yen japonês obrigou, nesta segunda feira, o FED a emprestar dólares ao Japão para evitar que o tesouro japonês venda títulos do tesouro americanos em carteira, jogando a moeda americana no chão; ao emprestar dólar aos japoneses, os americanos fortalecem o yen, evitando sua desvalorização, que elevaria exportações japonesas aos Estados Unidos, pressionando déficit comercial americano.
Fortalecer o yen evita que o governo japonês venda títulos americanos que possui em carteira(cerca de 1,4 trilhão de dólares), o que desvalorizaria a moeda americana no mercado, acelerando volatilidade cambial no cenário internacional; o dólar desvalorizado afetaria, por exemplo, exportações brasileiras para os Estados Unidos, adicionando riscos ao tarifaço já em curso.
A intervenção conjunta Japão-EUA, algo que assusta o mundo neste momento, para evitar abalos na moeda japonesa, demonstra a inevitável aliança monetária entre dólar e yen, capaz de evitar, no curto prazo, desdolarização americana que balançaria a frágil estabilidade monetária global agravada pelo endividamento publico excessivo americano; a taxa de juros japonesa, de 1,5%, é alvo dos interesses americanos, visto que, nos Estados Unidos, o juro básico está em 3,5%; os especuladores pegam dinheiro barato no Japão para fazer negócio, trocando pelo juro alto americano; isso leva os aplicadores a ganhar rios de dinheiro nas trocas monetárias.
O FED não deseja, é claro, alterar esse jogo, imposto pela financeirização global, movimentada pelo dólar, porque garante ao tesouro americano grana para financiar indústria de guerra; o Japão, por sua vez, com a intervenção monetária conjunta com Estados Unidos, ganha, com a valorização, temporária do yen, já que eleva gastos públicos e diminui impostos, destacam analistas internacionais.
Porém, tais movimentos advertem, apenas, que a estabilidade fiscal japonesa compra tempo para manter a dívida pública em escala crescente, deixando o mercado em instabilidade permanente.
É o jogo da financeirização global na corda bamba.