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segunda-feira, 3 agosto 2026

César Fonseca: Nordeste arrasta Centrão para Lula e isola Flávio

Foto BTG-Nexus

César Fonseca

Os arranjos políticos do Centrão em pelo menos seis estados do Nordeste – Piauí, Paraíba, Maranhão, Ceará, Alagoas e Pernambuco –, onde possui maioria das prefeituras conquistadas nas eleições municipais de 2024, estão arrastando os colégios eleitorais da região para Lula.

O pragmatismo o leva a alinhar-se à tendência regional de caminhar com o lulismo, favorito nas pesquisas; por isso, Flávio Bolsonaro não encontra um vice para a sua chapa no União Brasil, no Republicanos e no Progressistas, maiores forças do centro-direita na região nordestina.

Esse é o fato mais expressivo, no momento em que o presidente Lula reune a maior frente política para disputar a reeleição, rachando a direita e ultradireita.

Ao contrário do que muitos analistas da mídia conservadora estão dizendo, que Flávio Bolsonaro não soube negociar com a direita, expressa no Centrão, por excesso de arrogância e autoconfiança no bolsonarismo, como força capaz de atrair a direita, incapaz de seguir sozinha na disputa eleitoral, o fato concreto é outro.

O Centrão, com suas lideranças mais expressivas e, acrescente-se, desgastadas, politicamente, dada proximidade delas do caso Banco Master, criado por Daniel Vorcaro, no comando da maior fraude financeira da história, percebe que seu desgaste ao lado do bolsonarismo, igualmente, corrupto, é o fator que impulsiona o lulismo, conforme determinam a variedade das políticas eleitorais.

Nesse sentido, o Centrão, assistindo o esvaziamento político dos bolsonaristas fascistas, aos quais aliou em 2018-2022, sendo derrotado pelo lulismo, em seu terceiro mandato(2023-2026), não deseja mais percorrer o mesmo caminho da derrota; essa é a expectativa que pode se materializar nesta eleição, como apontam as pesquisas que levam os partidos centristas a se afastarem do bolsonarismo; a impossibilidade de Flávio conquistar uma vice do Centrão, para tentar vencer Lula, representa a comprovação da sua fragilidade, caso tenha que optar por uma chapa pura, bolsonarista.

A insistência do Centrão em manter-se na neutralidade tem explicação na divisão dos partidos de centro-direita, especialmente, no Nordeste, onde Lula mantém resiliência histórica, em oposição à relativa fragilidade daqueles partidos adversários do lulismo, temerosos de marcharem para o que consideram repetição de erro político: alinhar-se ao bolsonarismo outra vez, com o passivo moral negativo, acumulado, principalmente, pelo candidato do PL, Flávio.

CENTRÃO FOGE DO ESTIGMA

DE TRAIDOR DA PÁTRIA

O centro-direita resiste a Flávio mais do que a Lula; a este é atraído, como mostra as divisões partidárias centristas direitistas nordestinas, porque elas, se se aproximarem, agora, do movimento bolsonarista fascista trumpista, serão arroladas, na campanha, como inimigas da soberania nacional.

Afinal, como a realidade mostra, o bolsonarismo se dispõe a entregar o Brasil de bandeja, como faz o filho 02 de Bolsonaro, Eduardo Bananinha, nos Estados Unidos, como aliado preferencial de Trump e de Marco Rúbio, inimigos da América Latina soberana.

O Brasil Soberano é a bandeira de luta dos dissidentes do centro-direita, no Nordeste, que se aproximam de Lula, juntando-se ao centro-esquerda, impedindo que o Centrão faça a opção pelo bolsonarismo entreguista, sob pena de perderem eleição.

O pragmatismo eleitoral do Centrão, como mostra o comportamento de um dos seus líderes, no Nordeste, caso do ícone Ciro Nogueira, é sintomático; ele deseja ser reeleito senador pelo Progressistas do Piauí, mas como representante do centro-direita vê sua base propensa ao lulismo, razão pela qual se opõe que o Centrão se aproxime de Flávio Bolsonaro, cedendo-se a uma vice-presidência.

O desgaste do entreguismo bolsonarismo, expresso no tarifaço, na aproximação com o argentino Milei etc, na defesa da entrega dos minerais estratégicos para os Estados Unidos, como as terras raras etc, favorecem a posição nacionalista de Lula, cujo reflexo é sua posição vantajosa nas pesquisas eleitorais, no momento em que se inicia a disputa, com realização das convenções.

Por isso, Ciro Nogueira, abalado pelas denúncias de aproximação com Vorcaro, do Master – ele e uma penca de seus aliados no Centrão –, quer o apoio de Lula em seu estado, exemplo que vale para todos os demais que se encontram em sua situação, sem chances de reeleição se forem identificados como vendilhões da pátria; é disso que o centro-direita foge para continuar vivo no cenário, se possível mantendo maioria no Congresso.

Buscam, dessa forma, eternizar o jogo político de domínio da governabilidade na fachada inconstitucional do semiparlamentarismo para se impor ao executivo presidencialista.

 

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