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quarta-feira, 22 maio, 2024

Movimentos populares exigem lei da emergência alimentar na Argentina

Milhares de pessoas voltaram a exigir a implementação da lei de emergência alimentar na Argentina (Divulgação)
Cortes de estrada, concentrações e manifestações marcaram a jornada nacional de luta levada a cabo por organizações sociais como a Confederação dos Trabalhadores da Economia Popular (CTEP), a Corrente Classista e Combativa, a Bairros de Pé e a Frente Popular Darío Santillán.

Com o lema “Sem terra, teto e trabalho, a reforma é contra os de baixo”, a jornada teve como objetivos denunciar o aumento da má nutrição infantil na Argentina, exigir novamente ao governo a proclamação imediata da Lei de Emergência Alimentar e repudiar as reformas tributária, trabalhista e das pensões que o presidente Maurício Macri está implementando.

“O elemento chave da Lei da Emergência Alimentar tem a ver com a má nutrição. De 20 mil jovens da província de Buenos Aires, 48% têm problemas de má nutrição”, disse o dirigente da Bairros de Pé, Daniel Menéndez. Acrescentou que o problema se agravou durante o governo de Mauricio Macri, desde o final de 2015.

De acordo com um estudo publicado na última segunda-feira (13) pelo Instituto de Investigação Social, Econômica e Política Cidadã, a má nutrição afeta 48% das crianças e jovens (faixa etária 2-19 anos) na província de Buenos Aires.

O mesmo instituto revela, num estudo divulgado no dia 1 de Outubro, que 28,6% dos argentinos se encontra em situação de pobreza e 6,2% em situação de indigência. Metade dos argentinos pobres vive na região da Grande Buenos Aires, onde se concentra aproximadamente um quarto da população do país.

Três semanas de mobilização

A jornada nacional de luta foi precedida por uma assembleia de movimentos populares argentinos, que decidiram avançar com um plano de mobilizações ao longo das próximas três semanas. Para o dia 22 foi agendada uma jornada de luta do setor da agricultura familiar.

Belén Rozas, do CTEP, afirmou: “Viemos para a rua, organizados, para dizer ‘não’ às reformas que o governo tenta aplicar, ao mesmo tempo que sublinhamos as nossas próprias reivindicações, tendo em conta as necessidades urgentes que os sectores populares sofrem”.

As ações de protesto desta quarta-feira, protagonizadas pelos movimentos populares, são encaradas como um pontapé das lutas que se unem – dinamizadas pelas organizações sindicais – contra as reformas já anunciadas pelo governo de Macri.

Reforma Trabalhista: ataque feroz contra direitos

Também nesta semana, Associação de Trabalhadores do Estado (ATE) anunciou uma paralisação nacional para 6 de Dezembro, com ampla adesão de outras organizações sindicais e de movimentos sociais. Os sindicatos denunciam que, com o projeto de reforma apresentado, Macri procura favorecer o patronato, diminuir salários, facilitar a precariedade e os despedimentos.

Luis Campos, da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA) Autônoma afirmou que a reforma “é muito mais que uma série de alterações às leis trabalhistas. Estamos frente a uma verdadeira tentativa de fixar as bases para uma mudança de paradigma nas relações trabalhistas, que, numa perspectiva mais ampla, constitui um aprofundamento da ofensiva ininterrupta do capital contra o trabalho iniciada no nosso país em meados dos anos 70”.

Mariano Pasi, também delegado da CTA Autônoma, sublinhou que “as reformas promovidas pelo governo a nível tributário, das pensões e de precarização laboral constituem um ataque feroz contra o conjunto de direitos que o nosso povo conquistou ao longo de décadas de lutas”.

Fonte: AbrilAbril

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