A carta, endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à presidente da petrolífera estatal, Magda Chambriard, surge em resposta ao agravamento da crise energética e humanitária que afeta a ilha, na sequência do recente endurecimento do bloqueio imposto pelos Estados Unidos.
O texto destaca que essas novas ações dos EUA, somadas a mais de seis décadas de estrangulamento econômico pelo imperialismo, estão causando impactos severos em setores como economia, transporte, saúde, turismo e educação, entre outros, com risco concreto de crise humanitária.
Nesse contexto, entendemos que a Petrobras, como empresa brasileira estratégica e historicamente comprometida com o desenvolvimento e a soberania energética, pode desempenhar um papel relevante em uma iniciativa humanitária, contribuindo para mitigar os efeitos da crise e preservar vidas, afirma a carta.
Consideramos essencial, acrescenta o documento, abrir imediatamente um diálogo para avaliar possíveis alternativas, dentro dos atuais marcos legais e institucionais, que permitam ao Brasil agir em solidariedade diante da situação apresentada.
O texto observa que a Suprema Corte dos EUA recentemente pôs fim aos chamados “aumentos tarifários” impostos por Donald Trump, o que abre uma janela estratégica para o Brasil reavaliar seus fluxos de comércio de energia sem o ônus adicional de barreiras indiretas nas cadeias de suprimentos globais.
Diante disso, a possibilidade de enviar petróleo brasileiro para Cuba torna-se ainda mais justificada tanto do ponto de vista econômico quanto humanitário.
Sustentamos que o Brasil e a Petrobras não devem se submeter ao imperialismo estadunidense e precisam fornecer petróleo brasileiro à ilha como um ato humanitário e em solidariedade com a América Latina, também pelas seguintes razões, enfatizaram as organizações e movimentos que assinaram a carta.
Além disso, mencionaram fatos como o de que o consumo de petróleo cubano em um ano equivale a apenas seis dias da produção da Petrobras e que a cooperação econômica entre os povos da América Latina é um princípio constitucional no Brasil.
Não podemos aceitar que o bloqueio imperialista utilize a energia como arma de guerra, acrescenta a carta, destacando ainda que Cuba é um dos países que mais apoiam essa causa no mundo, como demonstram as suas missões médicas.
Diante do exposto, a carta solicita urgentemente que o Brasil e a Petrobras liderem um esforço de assistência humanitária e energética na América Latina, incluindo o fornecimento de combustíveis, medicamentos, alimentos e apoio a projetos de transição para o uso de energia fotovoltaica na ilha.