Por Orlando Oramas León
Esta informação provém da revisão anual realizada por este grupo de especialistas caribenhos, que cooperam há 18 anos.
Esse período começou quando a Operação Milagre começou a se espalhar pela América Latina e Caribe, e, nesse momento, milhões de pessoas foram operadas em todo o mundo, principalmente para catarata e pterígio.
Foi uma iniciativa dos presidentes Fidel Castro e Hugo Chávez, que continua a devolver a visão a milhares de uruguaios, particularmente idosos, incluindo centenários, com um caso recorde de um paciente de 103 anos cuja qualidade de vida foi restaurada por mãos cubanas.
2025 foi mais um ano de resultados, afirmou a Dra. Evelyn Almira ao apresentar o balanço da equipe de saúde do Caribe.
Foram registradas 37.000 consultas, o que eleva a lista histórica para mais de 930.000.
Os oftalmologistas cubanos prestam atendimento no Hospital Oftalmológico José Martí, ao norte de Montevidéu (um centro de referência nacional), e viajam para outros locais em busca de pacientes com problemas de visão.
Essas são as investigações que eles realizam aos sábados, e no ano passado foram mais de quatro mil, totalizando historicamente 219.785.
Os dados são acompanhados de depoimentos coletados por este correspondente de pessoas que enxergam a vida sob novas perspectivas.
“O mar voltou a ficar azul”, confirmou uma pessoa de oitenta anos; “Vi o rosto dos meus netos”, disse outra; “Minha vida mudou”, contou uma terceira à Prensa Latina.
Ida Gigiotty foi submetida a uma cirurgia em ambos os olhos em 2025, pois havia ficado cega devido a cataratas.
Essa poderia ser a história repetida de tantas outras pessoas no Hospital Oftalmológico. Mas a de Ida se destaca, porque ela tem 101 anos e quer viver muitos mais.
Ela é uma das muitas pacientes da médica cubana Marisol Durán, nascida na província oriental de Holguín e com dupla especialização médica: especialista de primeiro grau em oftalmologia e clínica médica, o que demonstra o nível dos especialistas da nação caribenha que atuam aqui.
A trajetória profissional da Dra. Durán reflete a cooperação médica desenvolvida por seu país em todo o mundo, que a levou duas vezes à Venezuela (2006-2009 e 2015-2021), à ilha de Santa Lúcia, no Caribe Oriental (2018-2023) e, desde março de 2024, a este país sul-americano.
O caso de Ida é semelhante ao que acontece com muitos outros pacientes idosos. Eles deveriam ter sido diagnosticados e tratados 20 anos antes para terem uma melhor qualidade de vida, afirma o especialista.
Nesses 18 anos, foram realizadas mais de 119.000 cirurgias, um número de grande impacto na sociedade uruguaia, onde o trabalho dos médicos cubanos é amplamente reconhecido.
Por isso, o balanço patrimonial incluía os principais executivos da Organização Nacional das Associações de Aposentados e Pensionistas (Onajpu), um representante do Banco da Previdência Social e outro do sindicato dos bancários uruguaios.
A embaixadora cubana, Lissett Pérez, também discursou, destacando a cooperação médica de seu país com o mundo, que os Estados Unidos estão determinados a impedir como parte de sua política irracional em relação à ilha vizinha.
“Vocês são os verdadeiros embaixadores”, declarou o diplomata.
O reconhecimento da comunidade médica cubana também vem do governo uruguaio.
No dia 2 de março, durante seu discurso sobre os resultados do seu primeiro ano de mandato, perante o Parlamento, o Presidente Yamandou Orsi elogiou a dedicação da brigada e as “milhares” de intervenções cirúrgicas que devolveram a visão aos seus compatriotas.