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quarta-feira, 16 setembro 2026

Metade dos jornalistas sofre de depressão

Reprodução

Por Altamiro Borges

Sofrendo forte assédio das corporações midiáticas, os jornalistas brasileiros estão ficando cada dia mais doentes, com sintomas de depressão, ansiedade, estresse e insônia. Esse quadro preocupante foi apontado numa pesquisa iniciada feita pela Fundacentro (Fundação de Segurança e Medicina do Trabalho), em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), divulgada nesta segunda-feira (14).

O levantamento, que reuniu 257 profissionais da imprensa de todo o país, aponta que mais da metade dos jornalistas apresenta sintomas de depressão (50,2%) e quase metade convive com estresse (47,8%) e insônia (47,9%). Mostra ainda que 35,8% dos trabalhadores apresentam sintomas de ansiedade, sendo que uma parcela significativa apresenta níveis severos ou extremamente severos.

“Além do adoecimento mental, o levantamento evidencia a presença marcante de violência no ambiente de trabalho. Entre os entrevistados, de 26% a 37% alegam ter sofrido assédio moral, a depender dos prêmios utilizados, enquanto 30,4% relatam ter sido vítimas de cyberbullying”, descrevendo a reportagem do site da Fenaj.

Urgência de políticas de proteção à categoria

O estudo também aponta fatores estruturais que ajudam a explicar esse cenário. Cerca de 28% dos jornalistas estão em situação de “alto desgaste”, descrição de alta demanda e baixo controle sobre o trabalho, e 61,1% apontam baixo apoio social no ambiente profissional. A pesquisa revela ainda que 21,5% dos jornalistas apresentam consumo de álcool em níveis de risco ou dependência potencial, o que pode estar associado ao estresse ocupacional e às condições adversárias enfrentadas na rotina profissional.

O estudo sobre “Condições de trabalho e saúde mental dos jornalistas do Brasil”, realizado entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, é essencial para entender os impactos das transformações no mundo do trabalho sobre a categoria. Para a presidente da Fenaj, Samira de Castro, os resultados reforçam a urgência de políticas externas à proteção dos jornalistas. “O cenário exige medidas concretas por parte das empresas de comunicação, além do fortalecimento da negociação coletiva e da implementação de políticas de prevenção aos riscos psicossociais”.

A pesquisa também ganha relevância no contexto da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do gerenciamento de riscos no ambiente de trabalho. “Os dados fornecem subsídios importantes para a inclusão efetiva dos riscos psicossociais – como assédio, sobrecarga e pressão constante – nas políticas de saúde e segurança do trabalho”, afirma Norian Segatto, coordenador da pesquisa e secretário-adjunto de Saúde e Segurança da Fenaj.

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