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quarta-feira, 16 setembro 2026

A Noite dos Lápis, um crime inesquecível na Argentina

,Em 16 de setembro de 1976, em plena ditadura, as forças repressivas desencadearam uma das caçadas mais trágicas, sequestrando 10 adolescentes em La Plata que faziam campanha pelo Passe de Estudante do Ensino Médio.

Naquele cruel evento conhecido como a Noite dos Lápis, seis dos sequestrados foram assassinados e desapareceram; quatro sobreviveram. Hoje, os argentinos comemoram o 50º aniversário desse episódio brutal em que adolescentes entre 16 e 18 anos foram assassinados com violência.

Os jovens mortos foram María Claudia Falcone (16 anos), María Clara Ciocchini (18 anos), Francisco López Muntaner (16 anos), Claudio de Acha (17 anos), Horacio Ángel Ungaro (17 anos) e Daniel Alberto Racero (18 anos).

Essa operação, realizada em La Plata em 1976 pelas forças de segurança contra um grupo de estudantes do ensino médio, sob o comando de Ramón Camps e Miguel Etchecolatz, tornou-se um dos maiores símbolos do impacto que o terrorismo de Estado teve sobre a juventude argentina, explica Diego Marinelli em um artigo histórico para o C5N.

Os jovens eram um dos principais alvos das forças-tarefa do regime militar. No total, 349 meninas e meninos do ensino secundário, com idades entre 13 e 17 anos, desapareceram como parte de um plano sistemático que visava erradicar a rebeldia juvenil nas décadas de 1960 e 70, afirma Marinelli.

A crueldade do regime instaurado em março de 1976 contra jovens entre 13 e 25 anos representa 43% do número total de desaparecidos, destaca o colunista.

Não se tratava de um daqueles “excessos” com os quais tentaram se justificar após o retorno da democracia – acrescenta ele – mas sim de uma estratégia planejada que envolvia fatores tanto locais quanto globais.

Durante as décadas de 1960 e 1970, impulsionados por eventos como o Cordobazo (1969), o Maio de Maio francês (1968) e a Revolução Cubana, os jovens foram, sem dúvida, a maior força revolucionária global, explica Marinelli. “Eles eram um pesadelo para as forças conservadoras em países como o nosso, incitadas pela cruzada anticomunista promovida pela CIA dos EUA na América Latina e em grande parte do mundo”, enfatiza.

Documentos das Forças Armadas e depoimentos de julgamentos contra repressores concordam que esse setor da sociedade era considerado um alvo prioritário por razões doutrinárias e políticas.

Para a Junta Militar, o inimigo interno não eram apenas aqueles que pertenciam a organizações guerrilheiras armadas. De acordo com a chamada Doutrina de Segurança Nacional, a “subversão” era uma doença ideológica que corrompia os valores tradicionais, ocidentais e cristãos, recorda o autor.

E, nesse contexto, escolas e universidades eram vistas como “campos de batalha ideológicos”, destaca ele.

E, entre todas as universidades, a Universidade Nacional de La Plata foi de longe a mais afetada: ela representa mais de 70% dos estudantes que desapareceram no país.

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