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sábado, 15 junho, 2024

Marinha brasileira voltará a receber financiamento para projeto nuclear

Sputnik – Após anos de ostracismo, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação anuncia que o setor nuclear será prioridade do governo brasileiro. A Sputnik Brasil conversou com o presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN) para conhecer os projetos das áreas de saúde e defesa que receberão recursos.

O setor nuclear será área prioritária para a FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) durante o ano de 2023, anunciou a empresa durante o evento do setor nuclear NT2E, realizado no Rio de Janeiro.
De acordo com a entidade, o setor de energia nuclear contribui para áreas vitais, como tecnologia de saúde, transição ecológica e complexo industrial de tecnologia de defesa.
O presidente da Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), Celso Cunha, comemorou o anúncio da FINEP.
“Nos últimos anos, a FINEP não deu prioridade ao financiamento do setor nuclear”, disse Cunha à Sputnik Brasil. “Mas a partir do anúncio, tanto as empresas como as Universidades poderão ter acesso a fomento para projetos de inovação tecnológica.”
FINEP participou ativamente de programas do setor nuclear brasileiro, como o reprocessamento de combustível, o desenvolvimento de tecnologias de reatores rápidos e a instalação do Ciclotron.

Reator Multipropósito

A FINEP está diretamente envolvida no financiamento da produção do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB). Uma vez concluído, o RMB atenderá à demanda nacional por radiofármacos, essenciais para o diagnóstico e tratamento de doenças como o câncer.
O projeto prevê não só a construção do reator, que será instalado na cidade de Iperó (SP), mas também da infraestrutura de laboratórios capazes de processar e manusear radioisótopos.
“O RMB é prioridade número um, mas temos diversas iniciativas relevantes que também contarão com apoio da FINEP, como o projeto do LABGENE junto à Marinha brasileira“, declarou Cunha.
Militares da Marinha durante a cerimônia de entrega do submarino S-40 Riachuelo, no Complexo Naval de Itaguaí, no interior do estado do Rio de Janeiro,  1º de setembro de 2022.  - Sputnik Brasil, 1920, 21.06.2023
Militares da Marinha durante a cerimônia de entrega do submarino S-40 Riachuelo, no Complexo Naval de Itaguaí, no interior do estado do Rio de Janeiro, 1º de setembro de 2022.
Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE) consistirá em um complexo com 11 prédios, destinado a simular as condições do reator que será instalado no submarino nuclear brasileiro em terra. O projeto é essencial para a conclusão do submarino nuclear brasileiro, atualmente prevista para 2029.

Submarino Nuclear

submarino nuclear também deve figurar na agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante seu encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron, nesta quinta-feira (30). A França é parceira do Brasil nos programas de construção de submarinos convencionais e do casco do submarino nuclear.
“Acreditamos que a cooperação com a França possa avançar no âmbito do submarino nuclear, assim como a participação da FRAMATOME [empresa de energia nuclear francesa] na construção da usina nuclear de Angra 3”, revelou Cunha.
Apesar do destaque da participação francesa, Celso Cunha notou que o Brasil tem capacidade de produzir seu próprio combustível e pode colaborar com “países mundo afora” para garantir o desenvolvimento do setor nuclear nacional.
Usinas de energia nuclear Angra 1 e Angra 2, na praia de Itaorna, no município de Angra dos Reis, no sul do estado do Rio de Janeiro. O complexo nuclear da região vai crescer com a conclusão da usina de Angra 3 - Sputnik Brasil, 1920, 21.06.2023
Usinas de energia nuclear Angra 1 e Angra 2, na praia de Itaorna, no município de Angra dos Reis, no sul do estado do Rio de Janeiro. O complexo nuclear da região vai crescer com a conclusão da usina de Angra 3 © Folhapress / Rafael Andrade
“Não é da noite para o dia: precisamos aumentar nossa planta, extrair o minério que temos. E esse trabalho pode ser feito com inúmeros fabricantes mundo afora, e vários países nesse momento demonstram interesse“, considerou Cunha.

Novos cérebros

O presidente da ABDAN ressaltou a necessidade de formar mão de obra especializada para o setor, assunto tratado diretamente com a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.
“Já tivemos a oportunidade de apresentar nossas propostas e expressar a necessidade de aprimorar os institutos de pesquisa, principalmente com novos cérebros e gestores à altura desses institutos”, considerou Cunha.
Engenheiro de formação, Celso Cunha se mostrou particularmente preocupado com a formação de novos engenheiros nucleares e quadros capacitados para o setor.
Cientistas da Indústrias Nucleares do Brasil S.A. (INB) inauguram a décima cascata de ultracentrífugas em Resende (RJ), em 25 de novembro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 21.06.2023
Cientistas da Indústrias Nucleares do Brasil S.A. (INB) inauguram a décima cascata de ultracentrífugas em Resende (RJ), em 25 de novembro de 2022

“A formação de quadros nos preocupa muito: já tivemos a aposentadoria de muita gente e uma outra geração deve se retirar em breve. Precisamos acelerar a formação de mão de obra no Brasil, principalmente de pesquisadores“, concluiu o presidente da ABDAN.

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