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Postado em 10/10/2016 9:09

Maria Zakharova: A histeria dos Estados Unidos em relação a Rússia

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Estamos enfrentando mais uma rodada da campanha de informação anti-russa relacionada com a crise síria – esta não é a primeira tentativa dos nossos colegas. Alguns anos atrás, durante a fase final da “Primavera Árabe” fomos criticados em relação à nossa posição e política a respeito da Síria. A partir desse momento houve várias fases da rejeição ativa das ações da Rússia e do respetivo acompanhamento informativo dos nossos passos. Agora chegamos à fase estrema, até extremista dessa campanha de informação. Não é mais uma campanha, é uma histeria, em que todos acabam sendo envolvidos: o Conselho de Segurança da ONU, coletivas de imprensa das autoridades, jornais, televisão, artigos, chanceleres, colunistas, etc. Desta vez, a estratégia é a seguinte: estão tentando nos colocar como um agressor sanguinário que está fora da lei. “The New York Times” escreveu em 29 de setembro que a Rússia é um “Estado fora da lei, que mata centenas de mulheres e crianças inocentes na Síria”.
É paradoxal que tais declarações sejam feitas nos países e pelas pessoas que têm um grande “histórico” de crimes reais, e não míticos e inventados, contra a população civil em todo o mundo.
Recordemos as centenas de milhares de mortos entre a população civil como resultado dos bombardeios impensados, errôneos ou deliberados da Jugoslávia, Afeganistão, Iêmen, Paquistão, Líbia, Iraque, Síria. Nós vemos como os equipamentos das forças armadas dos países que têm alta precisão e profissionalismo, atingem com ataques impiedosos casamentos, mercados, maternidades e hospitais. Depois falam que é a Federação da Rússia que mata civis, enquanto qualificam os seus próprios bombardeios de alvos civis de “erros técnicos”. Por que esses países hipocritamente fechavam os olhos ante os bombardeios americanos da Jugoslávia? Por alguma razão, nós não ouvimos dessas pessoas, que agora atuam como defensores dos direitos humanos, uma avaliação adequada do que aconteceu no Iraque, por exemplo, durante a Segunda Batalha de Falluja, em particular, a respeito de que tipo de armas foram utilizadas lá. E estes exemplos não são isolados.
Há mais um momento que prova que o que está acontecendo agora é uma campanha de informação. Bem recentemente, apenas seis meses atrás, esses mesmos países chamaram a Rússia de um parceiro construtivo na Síria, e a sua contribuição para o combate ao terrorismo internacional foi avaliada como muito grande. O que mudou então? Nós nos aproximamos muito do “Nusra”? Sim, isso acontece. Agora, a opinião mudou, tornou-se justamente a oposta. Todos nos lembramos como em março de 2016 vazaram na imprensa umas partes do relatório fechado da OTAN, em que a operação das Forças Aeroespaciais russas foi chamada de “eficiente e precisa”. Ou seja, em março era “eficiente e precisa”, e agora somos o “assassino sangrento”.
É impossível falar em uma avaliação objectiva adequada, quando esta se muda regularmente para a diametralmente oposta. É claro que mais uma vez os meios de comunicação são usados como uma ferramenta para fomentar o sentimento anti-russo, demonizar a imagem do nosso país, defender os interesses políticos absolutamente claros de um determinado cliente. O mundo não é perfeito e, infelizmente, é uma realidade.
O Escritório do Jornalismo Investigativo em Londres descobriu que o Pentágono pagou a uma empresa de relações públicas mais de 500 milhões de dólares para criar vídeos com encenações terroristas como parte da propaganda imediatamente após a invasão dos EUA no Iraque. Em particular, nos extratos do relatório sobre as Forças Especiais dos EUA, publicados em 29 de setembro no site “Conflicts Forum”, preparado por Jack Murphy, ex-“boina verde”, diz-se que a CIA e o Pentágono deliberadamente iniciaram o treinamento dos terroristas notórios e o fornecimento de armas para eles.
Quando perguntamos para os nossos colegas onde eles obtêm as informações, de acordo com as quais a Rússia está matando milhares de crianças, eles respondem que tudo isso está nas redes sociais. Também há informações na Internet sobre o treinamento dos terroristas – leiam. É muito interessante.
*Maria Zakharova é porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia

Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia comenta a decisão dos Estados Unidos de interromper o diálogo bilateral sobre a resolução do conflito na Síria

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Lamentamos muito a decisão tomada por Washington de interromper o diálogo russo-americano para a restauração da paz na República Árabe da Síria. A declaração do Departamento de Estado dos EUA sobre o término unilateral dos trabalhos conjuntos com a Rússia na área da resolução do conflito na Síria, exceto no que se refere à prevenção de incidentes no espaço aéreo durante os voos de combate, não pode deixar de causar profunda decepção.
Nos últimos dias em contatos telefônicos entre o Chanceler russo Sergey Lavrov e o Secretário de Estado dos EUA John Kerry, bem como através das nossas missões diplomáticas em Genebra, têm sido empreendidos grandes esforços a fim de normalizar a situação em torno de Aleppo, onde grupos armados ilegais romperam o cessar-fogo estabelecido anteriormente. Afinal das contas, no entanto, a parte americana não apoiou a prontidão da Rússia para declarar nessa área uma nova “pausa humanitária” por 72 horas.
Os Estados Unidos também opuseram-se à retirada das forças governamentais e dos combatentes da estrada “Castello”, embora isso tivesse sido registado no nosso acordo bilateral 9 de setembro e abriria o caminho para a entrega da ajuda humanitária para o leste de Aleppo. As autoridades sírias, demonstrando boa fé, estavam prontos para dar esse passo de acordo com a nossa proposta, e três semanas atrás tinham começado a retirar as suas tropas, mas Washington não tinha podido então e não quis agora garantir que a mesma coisa fosse feita pelas forças de oposição controladas por ele. Seja porque ele realmente é indiferente às necessidades humanitárias da população síria, explorando o assunto puramente para fins políticos, ou simplesmente porque não é capaz de influenciar os grupos de oposição.
Nos últimos dias o principal assunto da discussão entre os representantes da Rússia e dos Estados Unidos tem sido o “Jabhat al-Nusra”, a que nunca foi estendida nenhuma trégua. Que tipo de grupo é, quem está por trás dele, quem adere a ele. Porque quando todos reconhecem alegadamente que se trata de um grupo terrorista diretamente ligado ao “Al-Qaeda”, que 15 anos atrás cometeu horríveis ataques terroristas nos Estados Unidos, a administração de Barack Obama não se apressa para separar do “Jabhat al-Nusra” os grupos antigovernamentais que se orientam a Washington. Ao contrário, cobre-o como se fosse com escudo usando os grupos de oposição integrados nele, que formalmente confirmaram a participação do regime do cessar-fogo. Embora o Diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) John Brennan ainda em fevereiro nos prometesse pessoalmente realizar tal separação em prazos curtos.
Nós vimos perfeitamente que todas as “pausas humanitárias” anteriores foram usadas pelo “Jabhat al-Nusra” para reagrupamento, reforço com novos combatentes, recebimento do exterior das armas e munições, inclusive, de acordo com as informações disponíveis, com a participação americana. Os cabecilhas desse grupo manifestavam abertamente que usam essas tréguas, inclusive o “regime do silêncio” que foi declarado a partir de 12 de setembro passado, para se preparar para novas operações de ofensiva, o que enfrentamos agora ao redor de Aleppo.
Os EUA nunca exerceram pressão real sobre “Jabhat al-Nusra”. Não fazendo nada para separá-los e não tomando nenhuma ação contra os membros do grupo, que continuaram ataques sangrentos, Washington ao mesmo tempo opôs-se vigorosamente à ideia que a Rússia os parasse.
Assim, a decisão tomada por Washington reflete o fato que a Administração de Obama não é capaz de cumprir a condição chave para continuar a nossa cooperação a fim de resolver o conflito sírio. Ou ela nunca sequer  teve essa intenção. Está cada vez mais forte a nossa impressão de que, em busca da mudança cobiçada do regime em Damasco, Washington está pronto para “fazer um pacto com o diabo” – entrar na aliança com terroristas notórios que sonham com reverter a história e implantam suas normas desumanas.
Apelamos aos Estados Unidos avaliar mais uma vez a situação e como as suas ações são vistas em todo o mundo. As apostas são muito altas. Se a Síria for o alvo de novos ataques terroristas como o resultado das decisões americanas, a culpa será da Casa Branca. A escolha é de Washington, que tem que ponderar sensatamente que futuro eles querem para o povo sírio.

Ataque à Embaixada da Rússia em Damasco 

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Em 3 de outubro a missão diplomática russa em Damasco foi alvo de um ataque de morteiro. Uma das minas explodiu no território da Embaixada perto do complexo residencial. Só por acaso nenhum dos nossos funcionários da Embaixada foi atingido. A missão diplomática sofreu danos materiais. Mais duas minas explodiram perto da Embaixada.
De acordo com as informações disponíveis, o ataque foi realizado a partir de Jobar, um subúrbio da capital síria controlado pelos grupos terroristas do “Jabhat Fateh al-Sham” (ex-“Nusra”) e “Failak ar-Rahman”.
Moscou condena decididamente este crime dos terroristas. Mais uma vez eles colocaram as vidas e as atividades dos diplomatas russos na Síria em perigo grave, violaram as normas básicas do direito internacional.
Consideramos o ataque à Embaixada russa em Damasco como consequência das ações daqueles que, como os EUA e alguns de seus aliados, provocam a continuação do conflito sangrento na Síria, flertando com os militantes e extremistas de vários tipos. Estamos convencidos de que a resposta às ações provocativas dos criminosos deve ser os esforços de combate ao terrorismo coordenados da comunidade internacional. Por nossa parte, a fim de eliminar a ameaça terrorista, restaurar a paz e a segurança na terra síria, serão tomadas todas as medidas necessárias.

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