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sábado, 2 maio 2026

Mais um escândalo assola o governo argentino

Buenos Aires, 2 de maio (Prensa Latina) O comparecimento do problemático Manuel Adorni, chefe de gabinete do presidente Javier Milei, perante o Congresso para se defender das acusações de enriquecimento ilícito, não correu muito bem para ele e, além disso, revelou mais um escândalo de corrupção no governo.

Isso envolve o uso ilícito de cartões de crédito corporativos de empresas estatais por funcionários do governo libertário para fins pessoais extravagantes, viagens e estadias em hotéis de luxo e a compra de itens caros. Essa situação veio à tona e complica ainda mais o governo de Milei, que enfrenta seu pior momento devido à rejeição pública.

Até o momento, apenas o uso de cartões corporativos na empresa Nucleoeléctrica Argentina SA veio à tona, cujo presidente na época desses atos de corrupção e falha ética era o ex-conselheiro presidencial Demian Reidel.

A atual administração da empresa estatal revelou que tais despesas foram incorridas entre março de 2025 e fevereiro de 2026; o valor gasto carece de um rastreamento preciso, admite a administração da empresa.

O atual presidente reconheceu “inconsistências”; seus representantes não esclareceram para que usaram os mais de 56 milhões de pesos em “adiantamento em dinheiro” que aparecem no relatório oficial, informou a mídia neste sábado.

Viagens para países do Caribe, América do Sul, América do Norte, Europa e Ásia; visitas ao Museu do Prado em Madri, compras no Duty Free de Punta Cana, refeições no Pub El Pirata, excursões turísticas e hospedagem no suntuoso Royal Lancaster Hotel em Londres.

No total, o relatório oficial apresenta evidências de viagens e estadias em 20 países diferentes, onde as autoridades da Nucleoeléctrica Argentina SA gastaram dinheiro com o cartão corporativo dessa empresa pública.

Este grupo de vinte países inclui Argentina, Brasil, República Dominicana, Estados Unidos, Canadá, Espanha, França, Holanda, Inglaterra, Áustria, Hungria, Finlândia, Alemanha, Itália, Bulgária, Romênia, Coreia, Índia, Singapura e Turquia.

O atual gerente, Juan Martín Campos, descreveu que houve casos com “inconsistências” e “falta de justificativa suficiente”, e por isso decidiu suspender o uso dos cartões.

Por sua vez, o ex-conselheiro presidencial, agora no centro de outro escândalo, afirmou que suas declarações não mostram despesas pessoais. “Zero casas noturnas, nenhum serviço de praia, nenhuma loja duty-free, nada”, escreveu ele nas redes sociais, e pediu que “cada centavo” seja investigado.

Gustavo Sylvestre, apresentador do programa de televisão MinutoUno e crítico ferrenho do governo, resumiu que, enquanto funcionários corruptos se aproveitam de fundos públicos, milhares de famílias argentinas sofrem um ajuste financeiro extremo e enfrentam a pior crise econômica em anos.

E isso na Nucleoeléctrica Argentina pode ser apenas a ponta do iceberg em um governo cada vez mais abalado por escândalos de corrupção, argumentam outros observadores políticos.

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