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Sputnik – Em conversa por telefone, presidentes discutiram tarifas sobre produtos brasileiros, cooperação contra o crime organizado e saídas diplomáticas para conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.
Nesta manhã de sexta-feira (21), o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, telefonou para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para conversar sobre a relação bilateral entre os dois países. Em nota à imprensa, o governo brasileiro informou que a conversa teve um “tom amistoso e cordial”. Entre os temas abordados estiveram as tarifas impostas por Washington a produtos brasileiros, a cooperação no combate ao crime organizado e os principais conflitos internacionais.
Sobre as novas tarifas aplicadas ao Brasil em decorrência das investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), Lula afirmou que as alegações que fundamentaram as medidas — relacionadas a desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos produzidos com trabalho forçado — são infundadas.
O presidente brasileiro argumentou que as tarifas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e defendeu a continuidade das negociações como a melhor alternativa para os dois países. Lula também reiterou a importância de preservar os Estados Unidos entre os principais parceiros comerciais do Brasil.
Trump concordou sobre a necessidade de manter vínculos comerciais fortes e propôs que as equipes dos dois países voltem a se reunir o mais rapidamente possível.
Na área de segurança, Lula reiterou o interesse brasileiro em ampliar a cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. Segundo o presidente, os grupos criminosos exercem “terror cotidiano” sobre as populações mais pobres, mas não devem ser confundidos com organizações terroristas. Lula afirmou que o Brasil dispõe de instrumentos próprios para enfrentar essas organizações sem a necessidade de uma classificação especial.
O presidente também apresentou a estratégia brasileira de asfixia financeira das organizações criminosas, que, segundo ele, já resultou na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões. Lula citou ainda os planos de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima, a aprovação da Lei Antifacção, que amplia os mecanismos de apreensão de bens e passaportes, e a proposta de emenda à Constituição que aumenta a participação do governo federal na segurança pública em cooperação com os estados.
Ainda segundo o governo brasileiro, Lula mencionou o estabelecimento do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI/DAMA/PF), em Manaus, que reúne oficiais de todos os países amazônicos. Trump se mostrou disposto a reforçar a cooperação bilateral nessa área e afirmou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar continuidade aos entendimentos.
Os dois presidentes também trocaram impressões sobre os principais conflitos globais, com destaque para Ucrânia e Oriente Médio. Ambos concordaram sobre a urgência de buscar uma solução negociada para o conflito entre Kiev e Moscou, que já se aproxima de cinco anos.
Trump apresentou considerações sobre as perspectivas de resolução do conflito com o Irã. Lula, por sua vez, criticou a inoperância do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e propôs novamente a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para discutir saídas diplomáticas para as crises atuais, em linha com sugestões feitas anteriormente aos presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin.




