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domingo, 23 junho, 2024

Lula polariza com o império e vira liderança global

César Fonseca 

O presidente brasileiro emergiu do G7 como novo líder mundial ao polarizar, diretamente, com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, denunciando seu discurso pró-guerra; ao mesmo tempo, reiterou o que Washington mais rejeita: a desdolarização econômica global; por fim, contrariou, frontalmente, os líderes imperialistas interessados em cooptá-los para apoiar o nazifascista Zelensky, desmoralizado por Putin que o derrotou naquela que pode ser a batalha decisiva da guerra: Bakhmut, cidade ucraniana.

Biden voltou para casa derrotado, politicamente, no plano internacional, pois, ainda, não conseguiu firmar aliança forte contra Putin, aliado de Xi Jinping, maior liderança econômica econômico-financeira, medida em poder de compra, pelo critério capitalista pragmático, e não sabe o desfecho do seu calcanhar de Aquiles interno: o teto neoliberal de gasto imposto pelos republicanos, dominantes na Câmara dos Representantes.

Lula, audaciosamente, ao confrontar Biden, considerando seu discurso negativo para a estabilidade política mundial, porque a Guerra na Ucrânia entre EUA-OTAN x Rússia, está no centro da tensão global, deixou de ser atrativo aos Estados Unidos; porém, o líder americano terá muita dificuldade para isolar Lula em popularidade crescente.

LULISMO NA CENA GLOBAL

O lulismo latino-americano, que ganha projeção internacional, começa a ser alvo de admiração tanto na Europa como nos Estados Unidos por parte dos trabalhadores, no contexto da luta de classe.

O primeiro europeu interessado em acertar, politicamente com Lula, na fase pós G7-Japão, é o presidente da França Emmanuel Macron, consciente de que o líder brasileiro ganha corações e mentes na terra de Napoleão.

O chefe do Eliseu quer Lula ao seu lado, dada sua posição favorável à luta dos trabalhadores francesas contra a reforma da Previdência macroniana, adequada aos interesses do capital financeiro.

A banca francesa quer arrocho fiscal em cima dos trabalhadores, para sobrar mais dinheiro para ela, credora da dívida pública – juros e amortizações –, responsável pela redução crescente do padrão de vida no país, especialmente no contexto inflacionário detonado pela guerra na Ucrânia.

Macron acertou com Lula para dividir consigo popularidade do presidente brasileiro, ídolo na França, de modo a relativizar seu poder cadente diante do poder emergente dos trabalhadores para as próximas eleições francesas.

Lula iria à França, primeiro, e Macron, conforme declarou, se comprometeu em vir, ainda esse ano, ao Brasil.

CONJUNTURA INTERNACIONAL FAVORECE

Do mesmo modo, o líder alemão, Olaf Scholz, quer a presença de Lula na Alemanha, onde seu prestígio está despencando diante da resistência da população à tentativa do chanceler de mandar armas para a Ucrânia à pedido de Biden, objetivando derrotar Putin.

Scholz está tão por baixo que recebeu veto dos próprios militares alemães, conscientes da fragilidade da Alemanha na tarefa de antagonizar-se com Putin, enquanto Biden mina seu poder, explorando, economicamente, os alemães, ao vender-lhes gás mais caro do que comprariam de Putin.

Nos dois países mais poderosos da Europa, seus líderes, desgastados, politicamente, por alinhar-se a Biden, levam o velho continente para a buraqueira de um abismo sem fim.

A pressão americana de sancionar a Rússia com prejuízo da Alemanha, que viu os americanos e noruegueses afundarem os dois gasodutos Nord Stream, prejudicando economia alemã, vetada ao gás barato russo, potencializando inflação na Alemanha e na Europa, joga a classe trabalhadora europeia contra governos europeus aliados a Washington.

Assim, Lula, ao polarizar com Biden, dizendo que o discurso dele no G7 não contribui para a paz, vira alvo de admiração dos trabalhadores nos países capitalistas desenvolvidos, bem como dos subdesenvolvidos, latino-americanos, africanos etc.

É o novo Mandela.

CONTRADIÇÃO ALINHA LULA A BIDEN

É de se ressaltar, em meio às contradições que envolvem Lula-Biden, que ambos estão envolvidos numa luta interna em seus países que os aproxima politicamente.

Tanto no Brasil, como nos Estados Unidos, Biden e Lula se alinham contra a tese neoliberal que impõe aos governos tetos de gastos, exigência de credores da bancocracia, para cortar despesas sociais, renda disponível para o consumo, de modo a priorizar gastos financeiros especulativos.

No Brasil, o Banco Central Independente(BCI) tenta, no Congresso, o apoio ultraconservador neoliberal, disposto a impedir governabilidade lulista por meio de ajuste fiscal incompatível com desenvolvimento socialmente equilibrado, vendido por Lula na campanha eleitoral.

Faltarão recursos para educação e saúde, focos do desenvolvimentismo que elevam a arrecadação, sem a qual o ajuste fiscal não se realiza.

Quanto às obras de infraestrutura, restaria a Lula terminar apenas empreendimentos inacabados, durante o neoliberalismo fascista bolsonariano.

Como Lula tocará perfil de verdadeiro desenvolvimentista capaz de tornar-se novo JK, como deseja, fazendo 40 anos em 4?

Mesma coisa enfrenta Biden, que adota política macroeconômica super frouxa, na mira dos republicanos, resistentes ao aumento exponencial da oferta de dinheiro, na circulação capitalista, a ser bruscamente bloqueada, se o teto de gastos de 31,4 trilhões de dólares vigorar, de modo a derrota-lo em 2024.

Evidentemente, a identidade de Lula e Biden, nesse sentido, de ambos se antagonizarem com o neoliberalismo, leva Lula a obter, nos Estados Unidos, o apoio dos trabalhadores americanos, como está sendo apoiado pelos trabalhadores europeus, assustando os líderes políticos conservadores etc.

O fato evidente é que a correlação de forças políticas, em meio ao cenário de guerra na Ucrânia, favorece Lula no cenário democrático.

Sua posição pela paz é o discurso que os nazifascistas aliados de Zelensky repudiam.

Nesse contexto, Lula vai ganhando destaque internacional que cria as bases, internas e externas, para união dos trabalhadores em torno dele, cujas consequências poderão favorecê-lo internamente contra o neoliberalismo, amplamente, majoritário no Congresso, a impedir sua defesa do desenvolvimento com justa distribuição da renda nacional na linha do novo mundo multipolar.

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