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terça-feira, 11 junho, 2024

Lula e África se unem contra rentismo especulativo no G20

 Foto Agência Brasil

César Fonseca  

O presidente Lula está em franca divergência com o rentismo, com mercado financeiro especulativo que está bloqueando crescimento econômico sustentável.

Essa evidência ficou clara com seu desabafo na cerimônia no Itamarati ao lado do presidente africano do Benin, Patrice Tolon.

Lula foi taxativo: os países pobres estão sendo espoliados pelo sistema financeiro especulativo.

Por essa razão, não há dinheiro para educação e saúde, pois, afinal, a prioridade é pagamento de serviço da dívida.

O governo é obrigado a reservar 40% do Orçamento Geral da União para pagar juros e amortização da dívida pública, rodada pela taxa Selic fixada especulativamente pelo Banco Central Independente.

Lula se rebela contra o rentismo em presença de líder africano.

O brado do Lula se espalhará pela África.

Os africanos, como os brasileiros e latinos em geral estão sob tirania financeira, sofrem a mesma extração forçada de renda para exportar poupança financeira aos especuladores internacionais no contexto da financeirização econômica global.

Cada vez mais, são obrigados a pagar mais e mais pelos serviços da sua dívida que cresce especulativamente.

E ao final das contas vê-se claramente que não há correspondência entre desenvolvimento e a especulação financeira que destrói em vez de construir a produção de riqueza.

Só o mercado financeiro, o rentismo, que ganha com a taxa de juros real mais alta do mundo.

Trata-se da categoria social que passou a enriquecer infinitamente em escala exponencial incontrolável, enquanto as forças produtivas, inversamente, estão empobrecendo infinitamente em escala decrescente.

Todos, de forma absoluta, estão ameaçados pela financeirização completa da economia.

A falência pré anunciada do empresário e presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, símbolo da industrialização nacional, dono da maior empresa têxtil do país, é o retrato acabado da financeirização econômica destrutiva.

O empresário está nas mãos dos bancos, encaminhando pedido de socorro financeiro, ao mesmo tempo que não tem condições de competir com concorrentes internacionais, com melhor saúde financeira.

 

NOVO NORTE GEOPOLÍTICO LULISTA

O desabafo do presidente Lula e a promessa que fez ao líder africano Patrice Tolon de lutar contra o rentismo dentro do G20 representa seu novo norte geopolítico, para ampliar sua participação no cenário internacional no contexto dos BRICS.

Os banqueiros que ganham rios de dinheiro na especulação de modo que não sobra para a saúde e a educação começaram a ver em Lula um líder latino-africano que encabeça discussão bi continental – América do Sul e África – criando contexto de força política a ser levado em conta.

O discurso rápido do presidente aos africanos dando-lhes boas-vindas à cooperação pelos BRICS representa o ponto de resistência política dos dois continentes contra o rentismo especulativo.

Os líderes da África comungam com Lula que o rentismo não deixa os países latino-americanos e sul-americanos crescerem economicamente de forma sustentável.

A posição explícita do presidente Lula frente ao mercado financeiro, ao rentismo que o inviabiliza politicamente quanto ao seu compromisso social de promover o crescimento sustentável distribuidor de renda, cria  espaço para maior polaridade com a direita que aposta no desastre da economia para criar obstáculo à governabilidade e impedir chefe do Planalto de alcançar terceiro mandato em 2026.

O papel do Legislativo cuja maioria maneja o semipresidencialismo ou semi parlamentarismo, nesse contexto criado pela financeirização, é o de exercitar o oportunismo.

Ele, dominado pela direita e ultradireita, passa a jogar ao lado do mercado financeiro, do neoliberalismo, para poder voltar ao poder em 2026, na medida em que desgasta o presidencialismo lulista, deixando-o sem recursos financeiros suficientes para tocar o PAC, projeto de governo lulista social democrata, comprometido com melhor distribuição da renda nacional e criação de emprego, consumo, arrecadação e investimentos.

Os liberais e neoliberais, cujo limite é o fascismo, com seus partidos sem credibilidade popular nem programa de governo temem nova derrota para Lula que fortaleceria movimento de libertação da dívida pelos países excessivamente endividados e espoliados vela tirania financeira especulativa.

O discurso de Lula é estratégia para união da América do Sul com a África para lutarem por uma causa comum: a libertação colonial da financeirização econômica global nas reuniões do G20.

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