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César Fonseca
Quando a capacidade de sofrer representa desafio maior da guerra.
As feridas abertas pelos bombardeios dos EUA e de Israel no Irã viram, segundo o New York Times, testes decisivos na avaliação dos americanos para ver quem tem condições de suportar os sofrimentos impostos pela guerra.
O balanço mostra que os iranianos levam a melhor: sofrem grandes desgastes, mas sua capacidade suportá-los é maior, porque têm apoio da população.
Ela sabe que está sendo agredida pelo maior império da terra e faz dessa consciência sua força para suportar a agressão.
Conta, para isso, com suas vantagens comparativas, objetivas e subjetivas: o domínio do Estreito de Ormus e a aliança com os Houtis, para bombardear Estreito de Bade l-Mandeb, fechando saída pelo Mar Vermelho do petróleo da Arábia Saudita.
É o sufoco da oferta global de petróleo que mantém elevado seu preço como bombeador da inflação global.
Também, contam o apoio da China e da Rússia, bem como com a solidariedade do Sul Global, que já representa quase metade do PIB mundial.
Em vez de se abalarem com o assassinato do Aiatolá Kamenei e com o massacre de meninas em um orfanato indefeso, os iranianos, contra a barbárie, arregimentam forças internas, ancoradas no espírito de luta histórico do povo persa, para enfrentar ataques imperialistas à sua infraestrutura econômica.
IMPERADOR ABALADO
E os Estados Unidos Unidos?
Estão em polvorosa, com o preço do petróleo escalando inflação, desemprego, desorganização econômica, instabilidade social, cujas consequências, para Trump, é queda sistemática de sua popularidade nas pesquisas, desabando para 32%.
Inédito!
Configura-se o que o imperador mais teme: derrota eleitoral em novembro, ou seja, deterioração de poder, que o leva à condição de pato manco, na segunda metade do seu mandato.
A clara redução de poder, antecipada pelos fatos, é a prova de que Trump perde a guerra, responsável por levá-lo às reações agressivas continuadas, cujos efeitos são, por sua vez, comprovações explícitas da sua debilidade política.
É quando a força representa o seu oposto, a fraqueza.
Os militares americanos, preocupados, avisam o chefe da Casa Branca que os estoques de armas estão baixos, sinalizando necessidade de reposição que custa tempo e dinheiro.
São bilhões e bilhões de dólares adicionais, que exigirão mais e mais emissões de moeda, para bancar fabricação de armas, destinadas, pura e simplesmente, à completa dissipação.
É a forma de continuar dinamizando a economia à custa do aumento incontrolável da dívida pública, sem retorno vantajoso para a população, exceto para a minoria de plutocratas, que continuam concentrando brutalmente a renda nacional, acelerando decadência e desvalorização do dólar.
Nesse contexto, o balanço, conclui a mídia, demonstra que quem perde é quem, como Trump, está sem gás suficiente para continuar, por muito tempo, suportando os sofrimentos impostos pela guerra imperialista, que tendem a se transformar em derrota eleitoral.