23.5 C
Brasília
quarta-feira, 24 julho, 2024

Julgamento de impeachment contra Lasso, semana crucial para Equador

Por Adriana Robreño

Quito (Prensa Latina) Equador começa uma semana crucial com julgamento político contra Presidente Guillermo Lasso no centro da agenda da Assembleia Nacional, que definirá o futuro do presidente e do país.

O chefe do Parlamento, Virgílio Saquicela, convocou oficialmente os membros da assembleia para nesta terça-feira para iniciar o procedimento às 10h, horário local.

Para nesse dia está marcada a presença do governante, que terá o direito de se defender por três horas, devendo o Ministério Público apresentar provas do crime pelo qual pretende destituir o chefe do Executivo.

Serão os deputados Viviana Veloz, da bancada da União pela Esperança (UNES), e Esteban Torres, do Partido Social Cristão (PSC) que apresentarão os argumentos do julgamento político. Após a intervenção dos interpelantes e do próprio Lasso- cuja presença foi confirmada pelo Ministro do Governo, Henry Cucalón-, iniciar-se-á o debate entre os legisladores, para que se espera vários dias porque cada um dos 137 membros da Assembleia tem direito a falar durante 10 minutos.

De acordo com o cronograma estabelecido, ao final dos discursos a sessão será suspensa e cinco dias depois terão que decidir se aprovam ou não o afastamento do presidente.

Segundo a oposição, Lasso incorrido em suposto peculato ao saber de supostas irregularidades em contrato entre a estatal Flota Petrolera Ecuatoriana (Flopec) e a empresa Amazonas Tanker e não ter agido para evitar maiores danos O estado.

Na última terça-feira, 88 legisladores votaram pela realização do julgamento político, faltando apenas quatro votos para os 92 necessários para retirar do poder o chefe do Executivo, equivalente a dois terços da Assembleia.

No caso de atingir uma quantidade suficiente para censurar o presidente, o vice-presidente, Alfredo Borrero, deve assumir o cargo pelo tempo restante do atual mandato, ou seja, até 2025.

Em junho de 2022 Lasso conseguiu se salvar de situação semelhante em meio à greve histórica liderada pelo movimento indígena, mas naquela época a oposição obteve 80 votos e não conseguiu destituí-lo do cargo pela chamada morte de cruz.

No contexto atual, é o próprio presidente quem tem manifestado a possibilidade de recorrer àquele recurso constitucional que permite ao chefe do Executivo dissolver a Assembleia, convocar eleições gerais em seis meses e governar esse tempo por decreto.

Embora a bancada da UNES, que reúne integrantes do movimento Revolución Ciudadana de Correista, tenha se declarado favorável à cruz da morte como saída democrática para a crise do país, o reeleito presidente da Assembleia, Saquicela, reiterou que há sem motivos para invocar essa ferramenta do Executivo.

O facto de a oposição ter demonstrado o seu peso este domingo na votação das sete autoridades parlamentares, onde o partido no poder ficou completamente de fora, mostrou que pode haver mais do que os votos necessários para antecipar o fim do mandato de Lasso.

Suas horas no Palácio Carondelet estarão contadas? Teremos que esperar até o momento final, porque as negociações continuarão até o último minuto.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS