Por Elna Souza*

Em visita oficial à Armênia, a diretora da Diplomacia Business, Elna Souza, participa, nos dias 26 e 27 de maio, do Yerevan Dialogue 2025 — fórum internacional que reúne líderes, diplomatas e especialistas para debater os principais desafios globais contemporâneos. Após o êxito da edição inaugural em 2024, o evento deste ano aprofunda discussões sobre temas cruciais, como tensões geopolíticas, incertezas econômicas, perda da biodiversidade e os impactos transformadores da inteligência artificial.
A cerimônia de abertura contou com pronunciamentos do ministro das Relações Exteriores da Armênia, Ararat Mirzoyan; do primeiro-ministro armênio, Nikol Vovayi Pashinyan; e do primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico.
Primeiro a discursar, o chanceler Ararat Mirzoyan destacou o tema do fórum deste ano — “Navegando o Desconhecido” —, enfatizando as rápidas transformações globais nos campos político, econômico, tecnológico e ambiental, que impõem desafios inéditos, como conflitos, crises humanitárias e os avanços disruptivos da inteligência artificial.
Mirzoyan afirmou que a Armênia busca superar a confrontação por meio da promoção da cooperação regional, do crescimento sustentável e do fortalecimento do Estado de Direito, além de participar ativamente de iniciativas globais, como a COP17 sobre biodiversidade.
O ministro também ressaltou o papel fundamental da juventude e da inovação no enfrentamento desses desafios, destacando o Programa de Jovens Fellows como essencial para o futuro do país. Segundo ele, a construção de um futuro de paz e prosperidade exige coragem diplomática, compreensão e confiança mútua.
Em seu discurso, o primeiro-ministro Nikol Vovayi Pashinyan atualizou os participantes sobre o progresso nas negociações de paz entre Armênia e Azerbaijão, apontando avanços significativos. De acordo com ele, o rascunho do tratado bilateral de paz está concluído, e a Armênia manifesta plena disposição para sua assinatura.
No entanto, observou que o Azerbaijão impõe duas condições para a formalização do acordo. A primeira é a dissolução do Grupo de Minsk da OSCE, responsável pela mediação do conflito. A Armênia aceita a medida, desde que haja garantias de que o conflito não será simplesmente “transferido” para seu território — especialmente diante da reivindicação do Azerbaijão sobre cerca de 60% do território armênio, denominado “Azerbaijão Ocidental”, alegação firmemente rejeitada por Yerevan. Pashinyan sugeriu que a assinatura do tratado ocorra simultaneamente à solicitação conjunta de dissolução do Grupo de Minsk.
A segunda condição refere-se às alegações do Azerbaijão sobre supostas reivindicações territoriais previstas na Constituição armênia. Pashinyan esclareceu que essa questão será decidida exclusivamente pelo Tribunal Constitucional da Armênia, único órgão competente para interpretar a Carta Magna. O tribunal já aprovou, anteriormente, um regulamento conjunto para a delimitação da fronteira, estabelecendo o primeiro acordo bilateral oficial entre os países.
O primeiro-ministro também destacou a importância da Declaração de Almaty, assinada em 1991 pelas ex-repúblicas soviéticas, que reconhece mutuamente a independência e a integridade territorial. Em conformidade com a Constituição da Armênia, o tratado estabelece que as fronteiras administrativas soviéticas passem a ter status internacional, garantindo soberania e integridade territorial. Após a assinatura, o documento será submetido ao Tribunal Constitucional e, posteriormente, ao Parlamento para ratificação.
Participando pela primeira vez do fórum, o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, elogiou a iniciativa armênia e destacou a relevância do evento para os debates sobre questões regionais e globais. Reafirmou o compromisso da Eslováquia com a União Europeia e a OTAN, consideradas pilares da paz e do desenvolvimento, embora tenha feito críticas pontuais à política energética da UE.
Fico defendeu a ampliação das parcerias globais, especialmente com países da Ásia, África e América do Sul, e alertou para os riscos de guerras comerciais. Sobre o conflito na Ucrânia, expressou pesar pelo sofrimento causado e reiterou apoio às negociações de paz, destacando o expressivo auxílio financeiro da Eslováquia ao país.
No âmbito bilateral, ressaltou a herança cristã comum com a Armênia e o interesse em ampliar cooperações estratégicas nas áreas de energia nuclear, indústria automotiva, defesa e segurança pública. O líder eslovaco também enalteceu os esforços de paz do governo armênio na região de Nagorno-Karabakh, considerando o recente acordo um avanço importante para a estabilidade regional. Reiterou, ainda, o apoio da Eslováquia ao processo de paz e à cooperação multilateral.
A participação da diretora Elna Souza no Yerevan Dialogue 2025 reforça o papel da diplomacia empresarial como instrumento estratégico para fomentar parcerias internacionais e enfrentar desafios globais por meio do diálogo e da inovação.






