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segunda-feira, 20 maio, 2024

Ingleses e judeus fraudam fatos e ameaçam-nos com extermínio mundial

CC0 / pixabay – Sputnik

Pedro Pinho*

Em 1290, Eduardo I, rei da Inglaterra, expulsa os judeus de suas terras. Para lá retornarão por volta de 1664, no reinado de Carlos II, como resultado da petição do português Manuel Soeiro (1604-1657), conhecido como Menasseh Ben Israel, rabino, dirigida a Oliver Cromwell (1599-1658).

Na realidade, os judeus foram incentivados por Guilherme III, que precisava criar o Banco da Inglaterra, como os Países Baixos haviam constituído seu Banco de Amsterdã, em 1609, com auxílio dos judeus.

Faltava-lhes, holandeses e ingleses, a experiência em finanças dos judeus, especialmente dos italianos, perseguidos pelas Inquisições.

Desde o Império Romano havia, além de Roma, significativas comunidades judaicas no sul da Itália como nas regiões da Sicília, Calábria e Apúlia. As condições de vida, mesmo quando se estabeleceram os guetos, incentivaram judeus alemães, franceses, do norte da África a se dirigirem para cidades italianas. Além de se dedicarem às finanças, formavam comunidades poliglotas que cresciam com o comércio.

Inglaterra e os Países Baixos, ligados por casamentos e rivais pelo domínio do comércio, empreenderam três guerras durante o século XVII. E Inglaterra e França disputavam a primazia colonial.

A Inglaterra atinge seu apogeu com o Tratado de Versalhes (1919), mas já fazia alianças para manter o imenso império (Tratado Naval de Washington, 1922). A economia financeira logo cairia em crise (1929) e a principal energia primária que garantira a industrialização inglesa, o carvão mineral, já cedia importância para o petróleo, onde as principais reservas saiam das mãos britânicas para as estadunidenses, russas e do Oriente Médio.

O mundo europeu se transformava e, dada sua influência mundial, contaminava o mundo. No Brasil é o período das revoltas tenentistas que culminam na Revolução de 1930. Surgia o primeiro país comunista em 1918, e em 1922 a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), ocupando imensa área da Europa e Ásia (Rússia, Belarus, Ucrânia, Geórgia, Armênia, Azerbaijão, Cazaquistão, Uzbequistão).

Por todo século XIII e XIV, os judeus vinham sendo expulsos de cidades e países do centro-norte europeu: Baviera, Suíça, Hungria, Eslováquia, Fribourg, Holanda, Mainz, França, Varsóvia, Áustria entre outras. Apenas nos século XV/XVI, Nápoles, Gênova, Cremona, Pavia, Pésaro, localidades italianas, passaram a expulsar os judeus. No século XIX, o General Grand expulsa os judeus das áreas de sua jurisdição no que se constituirão os Estados Unidos da América (EUA).

Em 1797, as tropas de Napoleão derrubaram os portões do gueto de Veneza simbolizando o fim das restrições étnicas.

Porém parte desta discriminação foi criação dos próprios judeus que há 3.000 anos construíram um Deus só para eles, Jeová, de modo a se valorizarem como povo e diante dos poderosos do Egito e da Mesopotâmia.

O “povo escolhido” sempre leva à pergunta: por quem? Por um Deus feito por eles?

Disso resulta uma história de perseguições e de guetos pelos séculos, desde 250 d.C. de Cartago e 415 d.C. de Alexandria.

A Inglaterra, por seu turno, constituíra a aristocracia fundiária, com as Magnas Cartas de 1215 (João sem Terra), duas em 1216 (firmadas pelo regente William Marshal e pelo rei Henrique III) e mais nove, até 1399, por Ricardo II. Assim, foram as finanças, financiando guerras e comércio, que dominaram o poder no Reino Unido.

SÉCULO XX DOS ANOS GLORIOSOS OU DAS GUERRAS PELO PODER MUNDIAL?

O século XX conheceu enorme transformação econômica e social que incorporou ao progresso milhões de pessoas, sempre colocadas à margem da sociedade. A Academia Francesa de Economia Política denomina os 30 anos que seguem a partir de 1945 de “anos gloriosos”.

Foi o triunfo da industrialização, com o barato e versátil petróleo, que possibilitou trazer para o consumo categorias sempre marginalizadas. E produzir riqueza sem igual, associada ao desenvolvimento tecnológico. Desde 1920 teve início a construção da sociedade da informática e da civilização termonuclear, expressão do gênio Darcy Ribeiro.

Energia e comunicação serão os motores do progresso mas, igualmente, do retrocesso após as desregulações da década de 1980.

Para a quase totalidade das pessoas, o século XX foi da guerra fria, da disputa entre dois modelos de economia e de governança: o capitalista dos EUA e o comunista da URSS.

Porém a grande disputa se deu fora das manchetes. Travou-se no mundo capitalista, entre as finanças, conduzidas pelo Reino Unido, e a industrialização que era comum aos EUA e à URSS. O episódio mais significativo desta disputa foi a Conferência de Bandung (Indonésia) que congregou as lideranças de 29 países da Ásia e da África, para formação de um Terceiro Mundo, independente das potências estadunidense e soviética.

EUA e URSS uniram seus órgãos de inteligência para a deposição por golpes de estado ou assassinato das lideranças que compareceram a Bandung, entre 18 e 24 de abril de 1955.

O Reino Unido observando o protagonismo do Oriente Médio com a posição que assumiria o petróleo na sociedade industrial (em 2021, com todo capital investido a favor das “energias alternativas”, o petróleo – óleo e gás natural – representou 56% do consumo de todas fontes primárias de energia, conforme a BP Statistical Review of World Energy) resolve criar um quisto em seus domínios na Palestina.

Pelo Tratado de Versalhes (1919), o Reino Unido dominava a Palestina, o Iraque, a Transjordânia, o Qatar, Bahrain, Oman, Aden, Emirados Árabes e Egito. Colocar neste mundo árabe o Estado judeu era verdadeira declaração de guerra permanente; e é o que vem ocorrendo desde 14 de maio de 1948.

Logo de início desaparece a Palestina, repartida entre os palestinos, Israel e Egito. Em 1956 surge a crise do Canal de Suez; em 1967 a Guerra dos Seis Dias; em 1973 a Guerra do Yom Kipur; em 1982-1983 a Guerra no Líbano; e a cada guerra se reduz o território originalmente dos palestinos em favor da ampliação do Estado de Israel.

O objetivo atual é incorporar toda Faixa de Gaza, rica em petróleo, ao Estado de Israel, para o que se comete o maior genocídio, que lembra o dos europeus ao conquistar as Américas.

As finanças criam as “crises do petróleo” na década de 1970, para demonstrar a instabilidade dos preços e os males ambientais surgidos com a produção do petróleo. Também passam a divulgar, como se tivesse origem diferente, o óleo (petróleo na forma líquida) e o gás natural, encontrados ambos nas mesmas condições de reservatório e produzidos pelas mesmas misturas de hidrocarbonetos e outros minerais.

No entanto, somam às reservas de petróleo as encontradas em folhelhos betuminosos para fraudar a quase inexistente reserva de petróleo nos EUA e no Canadá. Não só os folhelhos são encontrados em condições diferentes dos reservatórios de óleo e gás natural, como exigem técnicas específicas para obtenção do betume, que sofrerá processo industrial para se ter o óleo levado às refinarias.

Vê-se o quanto existe de farsas e falácias a história contada pelos capitais financeiros ingleses e seus parceiros do Estado de Israel.

Em 1928 ocorreu no Castelo de Achnacarry o célebre encontro dos grandes do mundo do petróleo: John Rockefeller, da Standard Oil Co, Henry Deterding, da Shell, William Knox D’Arcy, da Anglo Persian, futura BP, os irmãos Nobel e o banqueiro, Rothschild.

Formou-se o que viria ser conhecido como as “Sete Irmãs”, empresas que repartiram o mundo para controlar o preço e o fornecimento de petróleo e derivados. O preço do barril, adotada a mesma base, permaneceu inalterado desde o encontro até 1968, com o fim do conflito árabe-judeu. Lembrar que nestes 40 anos houve a II Grande Guerra, a reconstrução da Europa e grande desenvolvimento, inclusive no Brasil.

Os países árabes exportadores de petróleo (inicialmente a Arábia Saudita, Irã, Iraque e Kuwait) com a Venezuela, que desde 1922 supria a demanda estadunidense, criam a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP, 1965), buscando preço mais justo para esta riqueza esgotável e insubstituível.

As finanças chamam este reajuste de 1973, que não compensava a inflação mundial do período, de 1ª crise do petróleo. E, maldosamente, elevam acima das condições econômicas vigentes o preço em 1979, a 2ª crise, que resulta no “oil glut”, excesso de oferta, em 1980.

O petróleo fica entregue às bolsas de mercadoria que manipulam desde então seu preço. Ponto para as finanças na guerra contra a indústria.

Simultaneamente as finanças promovem diversas falácias relativas às questões climáticas e ambientais, como se fosse o petróleo, a mão do homem, responsável pelos ciclos glaciais (estamos passando pelo interglacial, quente, o último glacial ocorreu há 150 mil anos), pelas erupções vulcânicas, pelas movimentações tectônicas, como a que provocou abalos, em 05/04/2024, nos estados de Nova Iorque e Nova Jersey (EUA), pelos rifts que se abrem na crosta terrestre por todo Planeta, alterando as condições climáticas e os acidentes geográficos.

Considerando o Consenso de Washington (1989) e o desmembramento da antiga URSS, com a formação da Comunidade de Estados Independentes (CEI, 1991), temos quase quatro décadas de domínio financeiro, neoliberal.

O que está efetivamente ocorrendo nestes anos, especialmente no século XXI?

OS FATOS FRENTE AOS ENGODOS

Iniciemos pela inflação. As crises do petróleo fizeram explodir a inflação no mundo, na União Europeia (UE) e nos EUA. Oscilaram entre 10,33% e 13,98%, entre os três primeiros anos da década de 1980. A recessão trouxe, além do desemprego e da miséria, a redução da inflação que ficou em torno de 6%, em 1990; 3,30%, em 2000, e 1,50%, em 2010.

Coerentemente, as taxas de juros decrescem até 0,25%, na primeira década do século XXI. No entanto, estes números não encontram ressonância na economia real. Os resultados conduzidos pelas finanças são obtidos pela especulação e pelos títulos sem lastro que inundam o mercado para os investidores pouco ou nada atentos.

Nestes últimos anos as notícias da UE são de greves, paralisações nos serviços públicos, protestos de categorias econômicas e profissionais.

A Guerra travada na Ucrânia pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e pelos EUA contra a Federação Russa (Rússia), com acréscimos dos embargos e sanções atingindo aquele continental país, demonstraram a superioridade militar e econômica russa. E, ainda mais, tendo o povo russo prestigiado seus dirigentes como ficou evidente na última eleição para presidente da Rússia.

O mais grave é a ação genocida do governo de Israel contra os palestinos, que vem recebendo repúdio unânime, exceto pelos EUA e Reino Unido, diretamente envolvidos e cúmplices.

Buscando ampliar a ação bélica, Israel bombardeou a representação diplomática do Irã em Beirute, capital do Líbano. Mais um assassinato político realizado por Israel.

O mundo tremeu pelas possíveis consequências desta agressão. Mas os dirigentes árabes, diferentemente dos sionistas, não estão procurando guerra, estão empenhados na construção do pacífico mundo multipolar. Deram-se por satisfeitos demonstrando sua capacidade bélica a Tel Aviv.

Os EUA, em ano eleitoral, onde a ausência deve superar em muito a presença de eleitores, obrigou Israel a dar por finda esta disputa com o Irã.

Mas a imprensa, quase toda nas mãos das finanças apátridas, do mesmo modo que colocou a agressão a Rússia como uma invasão à Ucrânia, país do golpe de Maidan 2013/2014, que substituiu um presidente eleito por um artista circense e ditatorial, agora quer insinuar ataque do Irã contra Israel, exatamente o oposto do ocorrido.

Enquanto isso, a crise se amplia e deve provocar alterações políticas e econômicas significativas, mesmo sob ameaça de irresponsáveis dirigentes que preferem a guerra de destruição da civilização à derrota política.

O Brasil precisa ter clareza do que está ocorrendo e não se deixar levar por lutas ideológicas que já ficaram no passado.

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.

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