Uma aposentada de 72 anos, analfabeta e viúva, entrou com uma ação judicial contra uma entidade investigada pela Polícia Federal por suposta participação em um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A mulher, que vive em situação de vulnerabilidade, descobriu que seu nome aparece formalmente como presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen), uma das organizações investigadas, sem nunca ter autorizado ou sequer compreendido essa função.
O caso ganhou repercussão nacional após a deflagração da Operação “Sem Desconto”, que investiga irregularidades no repasse de contribuições descontadas diretamente de aposentadorias e pensões, sem o consentimento dos beneficiários. De acordo com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a PF, o prejuízo estimado chega a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, envolvendo entidades com quase meio milhão de associados e movimentação milionária mensal.
Como pontua o advogado João Valença, do VLV Advogados, o episódio revela “a necessidade de proteção jurídica ativa para aposentados e pensionistas, que muitas vezes são os mais vulneráveis a práticas abusivas. O caso demonstra que não basta confiar nos repasses automáticos: é preciso acompanhar de perto os descontos e exigir transparência das entidades envolvidas”.
Descontos não autorizados e impacto nas aposentadorias
O centro da investigação está nos descontos automáticos realizados diretamente nos benefícios do INSS, sem ciência ou anuência dos segurados. Em muitos casos, como o da aposentada, os nomes eram utilizados indevidamente para compor quadros administrativos de entidades privadas, permitindo que as organizações firmassem contratos e recebessem repasses vultosos do sistema previdenciário.
Segundo os investigadores, os valores eram retidos por meio de convênios questionáveis, afetando diretamente a renda de aposentados e pensionistas. A Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen), por exemplo, figura entre as entidades que mais receberam contribuições, chegando a administrar mensalmente quantias milionárias. A estratégia envolvia um número expressivo de beneficiários, especialmente em estados do Norte e Nordeste, onde a fiscalização é mais difícil.
Operação “Sem Desconto” e responsabilizações
Deflagrada em abril de 2025, a operação contou com 211 mandados de busca e apreensão em 13 estados e no Distrito Federal. Entre os alvos, estão entidades de representação de aposentados, sindicatos e cooperativas suspeitas de participação no esquema. Além da Aapen, outras organizações como AMBEC, Sindnapi e Conafer também são investigadas por condutas semelhantes.
O então presidente do INSS foi afastado do cargo, e a Polícia Federal apreendeu veículos de luxo, joias, obras de arte e documentos que comprovam o fluxo milionário de recursos. De acordo com os investigadores, a fraude afetou mais de 1,2 milhão de beneficiários em todo o país, provocando um rombo sem precedentes no sistema previdenciário.
Direitos dos aposentados e prevenção de fraudes
A situação levantou um alerta entre especialistas em Direito Previdenciário. Para João Valença, o caso evidencia a importância da orientação jurídica contínua: “Os beneficiários do INSS devem ter acesso a informações claras sobre seus descontos e direitos. Qualquer cobrança não reconhecida deve ser contestada imediatamente, inclusive com apoio judicial, para evitar prejuízos irreversíveis”.
O governo federal, por sua vez, anunciou que pretende reforçar os mecanismos de fiscalização, revisar convênios e ampliar a transparência sobre as autorizações de descontos. Também foi criado um canal para que aposentados possam consultar e bloquear contribuições não autorizadas diretamente pela plataforma Meu INSS, evitando que situações semelhantes se repitam.
Repercussões e próximos passos
As investigações seguem em andamento, e novas operações não estão descartadas. Além da responsabilização criminal dos envolvidos, há ações coletivas e individuais em curso para ressarcir os prejuízos dos aposentados lesados. Estima-se que, apenas na Aapen, mais de 150 mil segurados possam ter sido atingidos pelos descontos indevidos.
O caso reforça a necessidade de maior proteção jurídica e transparência nos repasses realizados pelo INSS. Enquanto o processo segue na Justiça, aposentados e pensionistas são orientados a verificar mensalmente seus extratos e buscar orientação especializada sempre que identificarem descontos não reconhecidos.
*Gabriela Matias, jornalista, redatora e assessora de imprensa, graduada pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). INSTAGRAM: @gabrielamatiascomunica https://www.instagram.com/gabrielamatiascomunica/
Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies.
This website uses cookies to improve your experience while you navigate through the website. Out of these, the cookies that are categorized as necessary are stored on your browser as they are essential for the working of basic functionalities of the website. We also use third-party cookies that help us analyze and understand how you use this website. These cookies will be stored in your browser only with your consent. You also have the option to opt-out of these cookies. But opting out of some of these cookies may affect your browsing experience.
Necessary cookies are absolutely essential for the website to function properly. These cookies ensure basic functionalities and security features of the website, anonymously.
Cookie
Duração
Descrição
cookielawinfo-checkbox-analytics
11 months
This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics".
cookielawinfo-checkbox-functional
11 months
The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional".
cookielawinfo-checkbox-necessary
11 months
This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary".
cookielawinfo-checkbox-others
11 months
This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other.
cookielawinfo-checkbox-performance
11 months
This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance".
viewed_cookie_policy
11 months
The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data.
Functional cookies help to perform certain functionalities like sharing the content of the website on social media platforms, collect feedbacks, and other third-party features.
Performance cookies are used to understand and analyze the key performance indexes of the website which helps in delivering a better user experience for the visitors.
Analytical cookies are used to understand how visitors interact with the website. These cookies help provide information on metrics the number of visitors, bounce rate, traffic source, etc.
Advertisement cookies are used to provide visitors with relevant ads and marketing campaigns. These cookies track visitors across websites and collect information to provide customized ads.