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domingo, 3 março, 2024

Huíla regista crescimento hoteleiro e turístico

Vista parcial da cidade de Lubango (Foto: José Krithinas)

Angola – Lubango – Com a paz alcançada em 2002, o sector da hotelaria e turismo registou, na província da Huíla, um exponencial crescimento, estimado em 90 porcento, tornando-se no terceiro parque do país, depois de Luanda e Benguela.
Resultado de imagem para Unidade hoteleira do LubangoUnidade hoteleira do Lubango (Foto: Morais Silva)
(Por José Krithinas)
A rede de infra-estruturas de suporte à actividade hoteleira passou de 15 unidades herdadas do período colonial, maioritariamente concentradas na cidade do Lubango, para 951, construídas ou reabilitadas através do investimento empresarial nacional e estrangeiro.
A Angop soube do responsável provincial do sector, João Silvestre, que o investimento feito proporcionou à Huíla perto de três mil camas, disponíveis em 10 hotéis até quatro estrelas, 16 pensões, 82 hospedarias e 14 aldeamentos turísticos.
A rede integra, igualmente, 805 restaurantes e similares, bem como 23 agências de viagem, cujo funcionamento, qualidade de serviços prestados e atracções naturais colocam a província na rota do movimento turístico nacional e internacional, e é hoje um destino procurado por um número crescente de turistas.
O departamento controla, também, 20 zonas e sítios turísticos naturais classificados, dos quais dez possuem acessos em condições e, por isso, movimentam mais turistas, enquanto os demais aguardam por investimentos.
João Silvestre justificou o investimento no sector com o facto de o turismo exigir uma rede hoteleira eficiente e moderna o suficiente para oferecer boa acomodação e conforto aos visitantes.
Qualidade de serviços
Neste momento, apesar dos efeitos da crise financeira, seis unidades hoteleiras estão em construção, umas e outras a serem reabilitadas, com as conclusões previstas para 2017, o que vai elevar a qualidade de serviços e oferecer aos utentes preços mais competitivos.
Trata-se de quatro hotéis novos, nomeadamente,  “Hotel Admar”, com 60 quartos (65 camas), “Gouduane”, 150 quartos (200) camas, “Mukaka” e “Rodinea”, que terão 130 e 180 quartos, respectivamente, enquanto estão em reabilitação o “Hotel Primor” e “Império”, com 48 e 30 quartos, especialmente.
Neste momento, o sector hoteleiro possui, para quem visitar a Huíla e residentes, dois mil e 453 quartos (cerca de três mil camas).
Para a construção e a reabilitação destas infra-estruturas, os empresários hoteleiros investiram 720 mil milhões de Kwanzas.
Por isso, o responsável elogiou a coragem, o espírito criativo e a determinação dos empresários locais em participar do relançamento da actividade turística da região e, concomitantemente, do desenvolvimento económico do país, valorizando o processo de diversificação da economia nacional.
Taxa de ocupação nas unidades hoteleiras
O objectivo de todo o hoteleiro, sublinhou, é sempre conseguir boas taxas de ocupação das suas unidades, mas nem sempre é uma tarefa fácil, dada a sazonalidade do turismo, ou seja, varia muito em função das épocas do ano e depende ainda da actual situação económica e financeira do país.
Em virtude disso, considera um desafio, para qualquer hoteleiro, conseguir garantir uma taxa de ocupação satisfatória num contexto de recessão económica, mas existe uma série de medidas que podem ser adoptadas para tornar o negócio bem-sucedido.
Explicou que nos últimos seis meses o seu departamento registou subida das taxas de ocupação das unidades hoteleiras da província, de 30 para 50 porcento, com maior realce para Agosto, período em que são realizadas as festas da Senhora do Monte.
Considerou, em face disso, razoável a taxa e poder ser melhorada se os hotéis e similares alargarem o leque de serviços a prestar e continuarem a introduzir inovações, no sentido de se ajustarem as regras internacionais para atraírem sempre visitantes.
Lembrou que até 2010 a taxa de ocupação esteve sempre próxima dos 100 porcento, mas, devido à crise, houve queda no gráfico. Em contrapartida, acredita que futuramente venha a normalizar.
Quanto aos preços, avançou serem dos mais baixos praticados no país. A diária vai de oito mil Kwanzas em hospedarias a 12 mil em hotéis, mas existem unidades de quatro estrelas que cobram até 18 mil.
João Silvestre considerou a qualidade dos serviços prestados pelo sector de nível internacional, apesar das dificuldades ligadas ao abastecimento de electricidade e água, o que obriga os operadores a usarem quase que permanentemente fontes alternativas.
Mais de 120 mil turistas nacionais e estrangeiros visitaram, de Janeiro a Agosto deste ano, a província da Huíla, tendo como principal destino a sua capital, a cidade do Lubango, indicando uma média mensal de 15 mil visitantes.
Formação de quadros
Desde o encerramento em 2003 da única escola estatal de hotelaria e turismo, a província conta com cinco instituições privadas, onde, nos últimos oito meses, mais de 100 jovens foram formados em várias especialidades.
Em contrapartida, João Silvestre fez saber que o Governo tem um projecto de construção de uma escola de raiz no Lubango, mas as limitações financeiras condicionam a sua implementação.
“O projecto existe e temos já localizada a área onde futuramente será erguida a escola, mas vamos aguardar pelas políticas do Governo para o sector de hotelaria e turismo”, sublinhou.
Sobre guias turísticos, explicou a Huíla contar com 15 quadros que funcionam nalgumas unidades hoteleiras e agências de viagem e turismo existentes na região.
Relativamente às agências de viagem, fez saber que estão controladas 23, apenas seis funcionam em pleno, com serviços de roteiro e venda de bilhetes de passagem.
Diversificação da economia
João Silvestre reafirmou a Huíla ter potencial, cuja exploração em muito contribuirá para o processo de diversificação da economia nacional, aumentando, desta feita, a geração de receitas para o Orçamento Geral do Estado.
Para tal, continuou, o sector não pode caminhar isolado; é necessário que outros façam a sua parte, designadamente os ligados ao fornecimento de electricidade, águas, reabilitação e manutenção das principais vias de acesso às áreas turísticas.
Para apoiar o processo, Silvestre disse que o Governo Provincial da Huíla está a implementar projectos de reabilitação das vias de acessos às zonas turísticas existentes na região.
Destacou o acesso ao Parque Nacional do Bicuar, com uma extensão de sete mil e 900 quilómetros quadrados, entre os municípios de Quipungo e Matala, à estrada da  cascata da Huíla, depois de concluído o troço entre o centro da cidade do Lubango e a área turística da Tundavala.
Apontou, para o próximo ano, o início da reabilitação da via que dá acesso à cascata da Hungueria, município da Chibia, Estação da Zootécnica, na Humpata, e outras áreas de interesse que precisam de intervenção urgente.
Relativamente à criação de emprego, a fonte revelou que este ano o sector da hotelaria e turismo empregou mais de oito mil pessoas, com destaque para jovens. Desta cifra, dois mil empregos foram indirectos, o que se considera positivo.
Os funcionários foram enquadrados nas unidades hoteleiras, restaurantes, aldeamentos turísticos, entre outras instituições.
A localização geográfica da província da Huíla proporciona-lhe áreas paisagísticas deslumbrantes, mas infelizmente algumas não são de fácil acesso e, por esta razão, não estão a ser exploradas para fins turísticos.
Assim, o sector tem catalogados 20 sítios turísticos, destacando-se o Complexo da Nossa Senhora do Monte, Miradouro da Boca da Humpata, Monumento do Cristo Rei, Barracões, lagoa do Tchivinguiro, Fenda da Tundavala, barragem das Neves, Serras da Leba e da Umbia.
Incentivo para turismo
O presidente da Associação Provincial da Huíla de Hotéis e Similares, José Joaquim da Silva, disse ser necessário que o Executivo incentive mais o sector do turismo, para voltar a ser uma potência.
Indicou que o Estado deve traçar políticas que possibilitem a atribuição de créditos bonificados aos empresários hoteleiros, como tem feito com outros sectores.
Referiu a Huíla ter registado, nos anos anteriores, uma grande aderência às unidades hoteleiras, o que obrigava os agentes a melhorarem os seus serviços, mas, com a crise económica que se instalou no país, as coisas mudaram.
“O sector da hotelaria e turismo é um potencial para o crescimento económico do país, e a província da Huíla joga papel bastante fundamental, atendendo ao seu poderio em infra-estruturas hoteleiras e áreas turísticas”, realçou.
Maior divulgação do setor
José da Silva considerou importante que se aposte mais na divulgação das áreas turísticas existentes no país, em particular os da província da Huíla, na perspectiva de proporcionar a entrada de turistas, preenchendo, assim, as unidades existentes.
Realçou a necessidade de os sectores da Educação, através das escolas, Cultura e as administrações municipais divulgarem mais os principais pontos turísticos, com o intuito de potenciar e de atrair visitantes àquelas zonas.
O responsável concluiu que o aproveitamento destas áreas resultaria num aumento de postos de emprego para os habitantes da região, entre outros benefícios, como a dinamização do sector da Cultura, no que toca à sua valorização e divulgação.
http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/economia/2016/8/39/Huila-regista-crescimento-hoteleiro-turistico,9bd32650-ea52-4a6d-a0ba-fe4b7e762f01.html

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