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domingo, 16 junho, 2024

Haiti sob governo provisório e esperança de superar crise

Porto Príncipe,  (Prensa Latina) Haiti caminha hoje com os passos de um governo provisório que aspira terminar a crise política, reprogramar o segundo turno presidencial e recuperar a confiança nas instituições públicas depois de reiteradas acusações de corrupção.

Depois de uma semana sem presidente, o líder do Senado, Jocelerme Privert, assumiu neste domingo a presidência interina em um processo inédito que se realizou para cobrir o vazio de poder provocado pela suspensão indefinida da contagem.

Em suas primeiras declarações, disse que governará com sabedoria nos próximos três meses e respeitará cada ponto do pacto fechado entre a Assembleia Nacional e o ex-presidente Michel Martelly com o fim de restabelecer a governabilidade e a paz no país.

Também, comprometeu-se a reforçar a confiança em todos os setores da sociedade, procurar consenso e reduzir as divisões políticas que obrigaram a cancelar três vezes o segundo turno das presidenciais.

Privert terá um gerenciamento de 120 dias, deve organizar a contagem em 24 de abril e entregar o comando no dia 14 de maio ao novo chefe de Estado.

Mas os analistas preveem uma missão complicada pois dispõe de pouco tempo para materializar suas aspirações e preencher também o plano do gabinete de trânsito.

Uma das principais tarefas será armar uma equipe ministerial conforme com seus propósitos, avaliado pelo Legislativo e através do consenso com os partidos políticos, que estão em uma de suas piores etapas de discórdias.

Outro desafio será recompor, antes de convocar às eleições, o Conselho Eleitoral Provisório, desmembrado depois de acusações de corrupção e fraude contra muitos de seus integrantes.

Privert e seu gabinete trabalharão também assediados por uma oposição que ameaça protestar contra sua seleção, considerando-a antidemocrática.

Os opositores também planejam mais protestos para exigir a anulação do primeiro turno de outubro, a criação de uma comissão independente para a avaliar e a convocação a um novo processo eleitoral.

No plano socioeconômico, o presidente interino recebe um país com 60 por cento de inflação e uma prolongada seca que -segundo o Programa Mundial de Alimentos- mantém com fome a 3,6 milhões de pessoas, delas 1,5 milhões em situação de insegurança alimentar severa. Se Privert não conseguir estabilizar a situação nacional, Haiti continuará imerso em um círculo vicioso que sempre conduz a mais incerteza, violência e desencanto popular.

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