Foto Agência Brasil
César Fonseca
Não resta ao presidente Lula outra alternativa senão ir à televisão e didaticamente explicar à população que o culpado pelo aumento do preços dos combustíveis é o presidente Trump.
É o chefe do governo americano que iniciou a guerra, instado pelo primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a atacar o Irã sob argumento de estar sob ameaça iraniana de extermínio do seu país.
Trump caiu nessa armadilha, uma mentira, estrategicamente, construída, como a que os Estados Unidos construiram para atacar o Iraque.
Inventaram que Saddam Hussein tinha armas atômicas, o que não era verdade, assim como é mentira que os iranianos desenvolveram bomba atômica para destruir os judeus, eliminando-os da face da terra.
Trump comprou o argumento de Netanyahu e ambos iniciaram os ataques, sem medir as consequências globais que essa iniciativa insana imperialista causaria.
O preço do petróleo pode bater nos 200 dólares o barril, ou mais, colocando a economia mundial em colapso.
Inflação, desemprego, quebradeira de negócios, empresas e bancos, instabilidade social, enfim, o mundo está sendo arrastado à terceira guerra mundial pela loucura trumpista sionista genocida.
A reação iraniana de se defender atacando e destruindo bases militares americanas e refinarias nos países do golfo pérsico, cujos governos são subalternos a Washington, generaliza o conflito em escala global.
A China, que é o alvo principal do império americano a ser derrotada, porque o capitalismo ocidental perdeu a corrida da competitividade para os chineses, não ficará de braços cruzados, vendo suas fontes de abastecimento secarem, se Estados Unidos e Israel continuarem a destruir as bases de produção de petróleo e gás, no Irã.
Sem o petróleo do Irã, China não tem como ir adiante com seu projeto da Rota da Seda, justamente, o que Washington quer, enquanto inviabiliza acesso chinês ao petróleo na América Latina.
Da mesma forma, a Rússia, que, junto com a China, abastecem o Irã de armamentos, capazes de garantir sua sobrevivência, serão arrastados à luta.
Enquanto isso, a periferia capitalista, como o Brasil, que se sucumbiu ao modelo neoliberal, que privatizou a distribuição e o refino de petróleo pela Petrobrás, cuida, agora, prioritariamente, de exportar petróleo cru, enquanto importa combustíveis cotados aos preços internacionais, especulativos.
Para o presidente Lula, o perigo está cada vez mais evidente, porque não se vê possibilidade de redução significativa dos juros, ao mesmo tempo que a inflação aumenta com as importações mais cara do diesel, junto com a sabotagem das empresas distribuidoras.
Sem dispor da BR Distribuidora, privatizada nos governos Temer e Bolsonaro, a Petrobrás não consegue regular o mercado, tornando-se prisioneira do oligopólio privado, que impõe o preço na bomba ao seu bel prazer.
Nesse cenário em que se desenvolve a campanha política presidencial, quando Lula tenta alcançar o quarto mandato, a direita e a ultradireita irmanadas, em torno do discurso bolsonarista, fascista, golpista, tramam greve geral de caminhoneiros, adestrados pelo discurso direitista do fascismo tupiniquim.
Ressalte-se, ainda, que nesse contexto, politicamente, explosivo, os adversários de Lula, com ajuda da mídia fascista, fazem campanha em que tentam colocar no colo do governo a culpa pela corrupção do Banco Master, levando como contrapeso a acusação de que o filho do presidente está envolvido em corrupção em companhia de personagens que estão sob o alvo da CPMI do INSS etc.
A desinformação e o golpe midiático atuam livremente, objetivando seu foco principal: impedir Lula de continuar, pelo voto popular, no poder.
Sob ataque violento, resta ao presidente Lula ir ao contraataque, primeiro, apoiando movimento político nacional favorável à reestatização da distribuição de combustível, para equilibrar o mercado.
Segundo, esclarecer à população que o inimigo maior do Brasil, nesse momento, por estar bombeando alta dos preços dos derivados de petróleo é, nada mais nada menos, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Não há como fugir dessa evidência gritante, já que, nos próprios Estados Unidos, cresce movimento anti-Trump em escala crescente, que poderá desembocar na sua derrota eleitoral, em novembro, abrindo possibilidade de impeachment.
A quimica Lula-Trump fez água com a guerra, porque ao incrementá-la, afetando o mundo inteiro, o resultado é o que se vê, claramente: incêndio global que afeta a população mundial.
Lula irá para o sacrifício sem abrir a alma ao povo brasileiro, mostrando quem é o promotor do caos global, o tirano Trump, apoiado, no Brasil, pelos bolsonaristas?
É no meio desse incêndio político que o chefe do Planalto ainda tem que aglutinar forças para levantar a bandeira da defesa popular pelo fim da jornada 6 x 1, bem como defender tarifa zero para transporte coletivo, utilizando a vantagem comparativa de estar podendo exportar petróleo cru, que eleva a arrecadação tributária.
Essa vantagem tem, portanto, de ser colocada no bolso do trabalhador.