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quinta-feira, 30 maio, 2024

‘Genocídio e limpeza étnica que o sionismo promove’: brasileiro detalha desafios de ação em Gaza

© AP Photo / Fatima Shbair

Sputnik – A busca pela libertação do povo palestino encontra seu eco em ações concretas ao redor do mundo, e uma das mais emblemáticas é a Flotilha da Liberdade.

A iniciativa, que completa 16 anos de atividade, tem como objetivo romper o cerco imposto a Gaza, levando ajuda humanitária vital para uma população que enfrenta condições desesperadoras.
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Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, o comunicador e internacionalista Thiago Ávila, representante dessa missão, destacou a urgência da situação em Gaza. Desde 2007, a região enfrenta um cerco implacável, uma violação flagrante do direito internacional que priva seus habitantes de recursos essenciais, ele afirma.
Segundo Ávila, a Flotilha da Liberdade “surge como uma resposta solidária, buscando denunciar e desafiar esse bloqueio ilegal”.

As Flotilhas da Liberdade acontecem desde 2008. Agora já estamos aí. A gente está falando já de 16 anos desde esse processo. Então é um momento de — o cerco de 17 anos, as Flotilhas há 16 anos — […] frequentemente tentar romper o cerco de Gaza”, explicou em entrevista.

Histórico e desafios

O comunicador detalha que a primeira missão de 2008 chegou a Gaza, realizou o tratamento médico, “levou a ajuda humanitária, acompanhou os barcos pesqueiros para Israel não bombardear os barcos pesqueiros enquanto os trabalhadores tentam pescar e depois retornou. Inclusive, trouxe uma família que precisava de tratamento médico mais complexo do que estava disponível em Gaza naquele momento”.
No entanto, as tentativas de chegar a Gaza enfrentam obstáculos consideráveis. Em relatos detalhados por Ávila são descritas as manobras burocráticas e pressões políticas sofridas pela missão. Desde a pressão internacional até as manobras para retirar a bandeira das embarcações, o ativista expõe as estratégias usadas para minar a iniciativa humanitária.

“Todas as flotilhas seguintes, depois de 2008, foram atacadas, com mais destaque para a Flotilha de 2010, onde Israel assassinou dez membros da comitiva, dez membros da delegação que foram executados mesmo quando Israel tomou os navios, atacou as pessoas, prendeu, torturou, levou para Israel e deportou depois para os seus países, apreendendo toda a mercadoria e as embarcações”, detalhou.

Ele continua: “Embora as únicas mortes que têm acontecido nas Flotilhas da Liberdade tenham sido essas de 2010, Israel segue atacando todas as embarcações, todos os anos, quando tentam chegar e romper o cerco ilegal contra Gaza, só que agora o cenário é diferente. Agora, o mundo inteiro entendeu o que é o sionismo, o que é a característica de um Estado de Apartheid, o que é o genocídio e a limpeza étnica que o sionismo promove contra o povo palestino”.
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Dimensão do desafio

A dmmensão do desafio é evidente quando se considera o risco enfrentado pelos participantes da flotilha. O internacionalista descreve os potenciais ataques do Exército israelense, que incluem drones, lanchas rápidas e até bombas acústicas. No entanto, a missão mantém seu compromisso com a não violência, buscando expor as violações dos direitos humanos e pressionar por mudanças.

“Nossa ação é totalmente não violenta, e isso, por mais que possa parecer estranho, […] coíbe as forças sionistas, amedronta eles também. Porque se a gente tem uma conduta totalmente não violenta, eles têm muita dificuldade de tentar fazer a campanha deles de difamação e de mentiras, a ponto [de] que não conseguem dizer que as pessoas que estão sentadas em nenhuma posição de ataque, sem segurar nenhum objeto, […] não conseguem dizer que eles foram atacados por essas pessoas“, sublinha.

Segundo Ávila, é feito um treinamento muito estrito para que todo mundo tenha rigorosamente a mesma conduta e que, “se Israel cometer esse crime de guerra, esse ato de violência, fique muito escancarado de onde vem a violência e quem está violando de um jeito internacional. Então é uma ação entre várias. O povo palestino faz muitas ações não violentas, e a gente defende o direito do povo palestino de resistir de todas as formas possíveis”.

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