Os repetidos pedidos constam de um relatório com sugestões, recomendações e alertas para diversos países, divulgado pelo FMI nesta terça-feira. No caso da Argentina, o FMI os exige antes de liberar um empréstimo de US$ 2 bilhões, segundo diversos veículos de comunicação.
Esse valor faz parte de um pacote de US$ 20 bilhões que o governo Javier Milei solicitou à instituição de crédito, que emitiu uma prescrição para que o empréstimo fosse distribuído em parcelas.
Tais demandas pressionam ainda mais o governo de Javier Milei, já sob forte pressão devido à instabilidade do mercado interno, à baixa captação e retenção de dólares, apesar de uma série de medidas massivas e infrutíferas, e ao declínio no volume geral de exportações.
A organização enfatizou que a balança de transações correntes da Argentina encerrou 2024 com um déficit de 0,5% do PIB. Nesse sentido, sugeriu que a Argentina precisa de um superávit de 1,4% devido à “fraca cobertura de reservas e à falta de acesso aos mercados internacionais”.
Em seu relatório, que aumenta a pressão sobre o poder executivo, o FMI sustenta que a posição externa em 2024 era mais fraca do que o nível implícito nos fundamentos econômicos de médio prazo e nas políticas desejáveis, e enfatizou que as reservas internacionais líquidas permanecem “criticamente baixas”.
“A avaliação externa está sujeita a uma incerteza excepcionalmente alta e depende da implementação de reformas estruturais que impulsionem a competitividade e a produtividade”, enfatiza a instituição em seu documento.
Como possíveis respostas políticas, o FMI propõe a implementação sustentada do programa de desembolso de longo prazo recentemente aprovado, a fim de “manter uma balança comercial forte, atrair investimento estrangeiro direto, recuperar o acesso ao mercado e salvaguardar a sustentabilidade externa”.
Mas, na realidade, o executivo da Milei não conseguiu atingir essas metas, e não há sinais de que isso aconteça, pelo menos no curto ou médio prazo.
Até agora, ele só conseguiu fechar o déficit fiscal implementando um ajuste severo que significou a paralisia do investimento público, cortes consideráveis em programas sociais, educação, assistência médica, retenção de salários, pensões e verbas alocadas às províncias.
E ele alerta que “uma taxa de câmbio real mais forte poderia ser justificada desde que as ambiciosas reformas estruturais em andamento gerassem maior produtividade e competitividade”.
Por enquanto, o setor não conseguiu decolar o suficiente para superar a queda do ano passado, e medidas recentes como a livre abertura das importações — com o objetivo de baixar os preços e, assim, agradar o eleitorado — também não ajudam, pois estão atingindo o setor manufatureiro nacional, diminuindo seu potencial de aumento de produtividade e competitividade.