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quarta-feira, 22 maio, 2024

Estratégica do medo usada pelo bolsonarismo

Charge: Carol Cospe Fogo

Por Priscila Lobregatte, no site Vermelho:

A todo o momento nos deparamos com situações de violência política que vão desde episódios de agressão verbal e física até assassinatos, o que vem gerando um ambiente agressivo e inseguro para boa parte da população. Um dos casos mais recentes de que se tem notícia ocorreu no final de semana, na cidade de Cascavel (CE), quando, segundo testemunhas, um homem entrou num bar perguntando quem votaria em Lula. Um eleitor do ex-presidente se apresentou, houve uma discussão e ele acabou sendo esfaqueado.

Edmilson Freire da Silva, 59 anos, foi apontado como o culpado pela morte do eleitor de Lula, o caseiro Antônio Carlos Silva de Lima, de 39 anos. Ele estava foragido e foi preso nesta segunda-feira (26).

Neste mesmo final de semana, a jovem Estefane de Oliveira Laudano, 19 anos, foi agredida com uma paulada na cabeça pelo bolsonarista Robson Dekkers Alvino, de 52 anos, por ter feito um comentário sobre o atual presidente em um bar em Angra dos Reis (RJ). Ela levou sete pontos na cabeça.

Mas, os episódios causados pelo ódio político, somente nesses últimos dias, não param por aí. No domingo (25), o deputado federal Paulo Guedes (PT-MG) foi vítima de um atentado a bala enquanto fazia campanha em Montes Claros (MG). Os três tiros teriam sido disparados por um policial militar que estava à paisana. Também houve um tumulto causado por integrantes do MBL que provocaram militantes e acusaram falsamente Guilherme Boulos, candidato a deputado federal do PSol-SP, de ter agredido um adolescente, durante caminhada na avenida Paulista. Em Brasília, também no domingo, uma mulher que vestia uma camiseta com o rosto de Lula foi derrubada no chão e chutada por um homem.

O primeiro caso mais grave que chamou atenção para a escalada desse tipo de violência foi o assassinato do petista Marcelo Arruda pelo bolsonarista Jorge Guaranho em Foz do Iguaçu (PR), no dia 9 de julho. O autor do assassinato está preso. Mais recentemente, outro caso reafirmou o clima agressivo do atual período eleitoral: em setembro, Benedito dos Santos, apoiador de Lula, foi morto pelo bolsonarista Rafael Silva de Oliveira em Confresa (MT) após discussão de teor político.

O medo como estratégia

Estes são apenas alguns dos muitos casos que têm ocorrido com maior intensidade no período eleitoral, mas que são resultado de um clima de ódio que ganhou mais corpo desde que Jair Bolsonaro (PL) chegou à presidência. Sua retórica autoritária e agressiva voltada especialmente contra oponentes, jornalistas e mulheres, bem como seu discurso golpista, de ataque às instituições e seu estímulo ao uso de armas de fogo e à busca por soluções violentas para problemas de toda ordem atiçam seus seguidores, levando a um ambiente de tensão permanente.

“A violência política no Brasil, desta maneira como estamos observando, é inédita. Sempre houve casos assim, mas de outra forma. De maneira orgânica, sistêmica como acontece agora, é algo que nunca se viu no país. E isso está presente em vários estratos sociais e ambientes. Esse caráter sistêmico é algo novo trazido pelo bolsonarismo”, analisa Francisco Fonseca, professor de Ciência Política da FGV e da PUC-São Paulo.

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