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Postado em 30/07/2022 9:40

Estrangeiros levarão R$ 39,27 bi do lucro de R$ 54 bi da Petrobrás

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“Gestão da estatal tem sido direcionada a um conjunto de interesses relacionados ao calendário eleitoral”, diz Ineep

A Petrobrás anunciou lucro líquido de R$ 54,33 bilhões no segundo trimestre de 2022, valor 26,8% superior ao registrado em igual período de 2021. No primeiro trimestre de 2022, a estatal lucrou R$ 44,5 bilhões. A empresa atribuiu o aumento nos ganhos à alta do petróleo.

O lucro recorrente somou R$ 45,039 bilhões, avanço de 10,1% sobre o ano passado. O lucro antes de juros, depreciações e amortizações (Ebitda) ajustado foi de R$ 98,260 bilhões no segundo trimestre.

A estatal anunciou que pagará R$ 87,8 bilhões em dividendos aos acionistas em agosto e setembro. O valor será de R$ 6,732003 por ação preferencial e ordinária em circulação, sendo que a primeira parcela, no valor de R$ 3,366002, será paga em 31 de agosto, e a segunda, no valor de R$ 3,366001, será paga em 20 de setembro.

O pagamento de volume expressivo de dividendos pela Petrobras obedece a pedido feito pelo governo Bolsonaro para bancar os programas sociais turbinados às vésperas da eleição, impedindo assim que o Teto de Gastos seja desrespeitado. Especialistas veem na antecipação uma pedalada, semelhante à que motivou o pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Como os estrangeiros detêm 44,73% do capital da Petrobras, levarão R$ 39,27 bilhões em dividendos. O governo (União e BNDES) ficam com R$ 32,14 bilhões.

Para o pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) Mahatma dos Santos a distribuição de R$ 87,8 bilhões em dividendos no segundo trimestre é fruto dos sucessivos aumentos de preços realizados pela Petrobrás. “Ademais, revela que a gestão da estatal tem sido direcionada para atender a um conjunto de interesses relacionados ao calendário eleitoral e não aos interesses da sociedade como um todo. As altas nos preços dos derivados turbinam os dividendos que serão repassados ao governo federal, mas reduzem os investimentos de longo prazo da companhia e impulsionam a inflação”, avaliou.

Com informações do Monitor Mercantil e Petronotícias

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