29.5 C
Brasília
terça-feira, 13 outubro 2026

Escândalo eleitoral: Kássio pró-Flávio censura Lula para fugir da corrupção de Daniel  Vorcaro,

Foto ChatGPT/CF

– Mas sob pressão registra “Exercito lulista”no TSE

César Fonseca

O espetáculo de intolerância medieval para favorecer o fascismo bolsonarista na campanha eleitoral por parte do ministro do STF, Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, tem roteiro explícito e escandaloso.

Ele censurou a campanha do presidente Lula, de forma descarada, para beneficiar seu adversário senador Flávio Bolsonaro por uma razão aparentemente oculta: o ministro tenta despistar a opinião pública da acusação de estar relacionado à corrupção de Daniel Vorcaro, do Banco Master, investigada pela PF, e, igualmente, do seu filho advogado, Kevin de Carvalho Marques, que teria recebido mais de R$ 400 milhões do banqueiro corrupto.

Criando o tumulto que está comandando, ao censurar o Exército Digital de Lula, criado pelo deputado André Janones(Rede-MG), a partir do posto que ocupa, Kássio evita evidência do escândalo em que está metido, por sinal já citado em reunião do plenário do Supremo Tribunal Federal, em debate no qual foi alvo de procedimentos condenáveis o ministro André Mendonça, também, acusado de proteção ao candidato bolsonarista à presidência da República.

A ação destemperada de Kássio, neste momento, em que integrantes do PT o colocam sob suspeição na condução do processo eleitoral, está servindo para embaralhar procedimentos administrativos, na tentativa barrar celeridade às questões impostas pela campanha.

JANONES, BOMBA ELEITORAL

Empenhado em criar empecilhos a Lula, para beneficiar Flávio, Kássio Nunes Marques, no domingo, proibiu a iniciativa do deputado André Janones(Rede-MG), levantando barreiras jurídicas à ação do “Exército de Lula”, politicamente, explosivo, para incrementar a disputa nas urnas.

Imediatamente, a jogada política de Janones se revelou sucesso estrondoso, alcançando mais de 2 milhões de seguidores.

Apavorada com a surpresa, diante da guerra na disputa pelos votos na rede social, a equipe de Flávio Bolsonaro partiu para o jogo baixo, característica do bolsonarismo raiz: espalhou fake News segundo o qual Janones circulava mentiras sobre Bolsonaro.

Foi o bastante para o ministro Kássio, rápido no gatilho, a serviço do bolsonarismo, embargar a jogada política de Janones.

A reação imediata da militância petista, no domingo, que encheu as ruas em várias capitais, em especial, em SP, na Av. Paulista, onde milhares de pessoas a ocuparam, levou o desembargador do TSE, ministro Villas Boas Cuevas, a cassar o embargo de Kássio.

Estourou rebelião no TSE.

A iniciativa de Cuevas serviu de estímulo ainda maior para o crescimento do número de militantes do “Exército de Lula”, que alcançou perto de 4 milhões de pessoas.

Jamais se viu, no Brasil, o poder da rede social com tamanha audiência e manifestação, deixando os bolsonaristas em polvorosa.

NOSSA SENHORA, AMÉM

O feriado de Nossa Senhora da Aparecida, na segunda, 12, serviu de motivação para outras mobilizações, notadamente, no Rio de Janeiro, na praia de Copacabana, e no bairro da Lapa, quando mar de gente tomou conta de todos os espaços, entusiasmando geral a militância.

Kássio, que no feriado não pode agir, voltou, nesta terça-feira, ao ataque e derrubou o embargo do ministro Cuevas, sob argumento de que ele não teria prerrogativas para interferir em ação emanada da presidência do Tribunal Superior Eleitoral.

No jogo de empurra-empurra jurídica dos dois lados, com grande destaque midiático, Marques, nas cordas do ringue, não tendo outra alternativa, acabou concordando com o registro, no TSE, do “Exército de Lula”, agora, livre para agir, empurrado por mais de 4 milhões de militantes, podendo dobrar esse número, no embalo da campanha.

Dessa forma, deixou de ser útil a iniciativa de Marques, de convocar os dois lados da campanha, para reunião, nesta tarde de terça, para fixar regras de comportamento, visto que o motivo essencial do evento perdeu sentido, depois de registrado no TSE o “Exército de Lula”, para atuar com liberdade.

Caiu de podre a censura de Kássio diante da pressão popular.

O fato é que a interferência de Kássio Nunes tentou servir de freio ao ímpeto petista de busca de virada eleitoral, para reverter, no segundo turno, a derrota sofrida no primeiro, por margem estreita de 1,8 pp.

Sobretudo, a iniciativa atabalhoada de Kássio de criar confusão que favorecesse Flávio e, ao mesmo tempo, o livrasse de acusações de agente em causa própria, or estar a serviço do chefão do Banco Master, mostra, por si só, o potencial de virada da campanha lulista, capaz de possibilitar vitória na reta final.

O que Kássio não consegue impedir, nessa altura do campeonato, é o entusiasmo que vai tomando conta da militância petista, em processo de mobilização irreversível.

FLÁVIO ENGOLE SAPO BARBUDO

O susto dos bolsonaristas, nesse momento, deixa claro que se equivocaram no sentido de cantar vitória antes da hora e de, inclusive, agir para formar futuro governo, sem ainda cravar triunfo eleitoral definitivo, que pode estar escorrendo pelo ralo.

O outro revés sofrido pelos bolsonaristas é a vitória anunciada da aprovação do projeto de lei da redução da jornada de trabalho de 6 x 1 para 5 x 2, prevista para esta quarta-feira.

Depois de deixar claro que é contra o projeto, Flávio Rachadinha, em visita, nesta terça, ao seu pai, ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, saiu com outra posição: irá votar a favor do projeto encabeçado pelo lulismo, com amplo apoio popular.

O bolsonarismo, portanto, amarga duas derrotas, na reta final de campanha:

1 – Registro, no TSE, do “Exército de Lula”, confirmado pelo bolsonarista Kássio Nunes Marques, que jogou a toalha no ringue, e;

2 – Apoio de Flávio ao que não estava aceitando: vitória dos trabalhadores em ganhar dois dias de descanso semanal, uma conquista histórica.

No mais, o candidato bolsonarista, sob pressão popular, transforma-se em lulista de carteirinha, ao comunicar, nos seus vídeos de campanha, que, se eleito, cumprirá os programas sociais lulistas que tem atacado: Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Farmácia Popular, BPC, enquanto assegura que não desvinculará a Previdência Social da correção do salário mínimo.

O lobo veste manta de cordeiro.

Ou seja, Flávio engole – como diria Brizola – o sapo barbudo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS